Claudio Lottenberg, possível nome para comandar o Ministério da Saúde no governo de Flávio Bolsonaro (PL), prefere encarar a gestão da pandemia de Covid-19 feita por Jair Bolsonaro como um ‘capítulo superado’. O oftalmologista, 66 anos, destaca que, na época da crise, as decisões foram tomadas sem as melhores ferramentas. Ele quer olhar para o futuro e focar no que pode ser feito.
Lottenberg afirma que uma possível gestão sua será técnica e baseada em evidências científicas, mesmo que isso vá contra parte da base de apoio de Flávio, que defende o discurso antivacina. A indicação de Lottenberg é vista como uma estratégia para proteger a campanha de críticas sobre a postura negacionista de Jair Bolsonaro durante a pandemia.
O médico já foi secretário municipal de Saúde em São Paulo e presidiu o Hospital Israelita Einstein. Atualmente, ele está afastado da presidência do Conselho Deliberativo do Einstein para manter a neutralidade política.
Visão para a Saúde
Flávio Bolsonaro quer uma gestão técnica que use a ciência como base, levando o SUS até o paciente, com uso de tecnologias digitais para antecipar problemas. Apesar dos recursos limitados, a prioridade será o uso eficiente do orçamento, fortalecendo a atenção básica e melhorando a organização dos serviços especializados por região.
Lottenberg destaca a importância de melhorar o uso dos dados clínicos e não apenas utilizar as informações para financiamento. Sobre políticas atuais, ressalta que é preciso aprimorar o que já existe, mais do que simplesmente construir novos programas.
Diálogo e respeito
O médico defende o diálogo com a base conservadora do Congresso, ouvindo diferentes opiniões com maturidade e ciência, sem imposições. Ele condena a desvalorização da ciência, lembrando que ações durante a pandemia foram complexas e feitas em um cenário difícil, mas que agora é hora de avançar.
Compromisso com a ciência e direitos sociais
Lottenberg reforça que sua atuação será sempre pautada na evidência científica, sem abrir mão de seus princípios. Quanto a mudanças na Constituição, acredita que Flávio Bolsonaro não pretende alterar direitos sociais como o direito à saúde, que considera fundamental.
Desafios futuros
O envelhecimento da população exige uma política integrada entre Saúde e seguridade social, com atenção à capacidade econômica dos cidadãos. Saúde mental também é um tema urgente, e a pandemia ajudou a quebrar tabus sobre transtornos como depressão e ansiedade, que precisam ser melhor abordados na assistência.
Gestão eficiente e solução das filas
Segundo Lottenberg, a capacidade executiva é essencial para liderar a Saúde, diferenciando-se por princípios e valores firmes. Para enfrentar as filas de espera, é necessário melhorar a infraestrutura do sistema e fortalecer a atenção básica, que permanece muito semelhante à de décadas atrás.
Regionalização e qualidade
A regionalização da saúde deve ser feita em um pacto entre ministério, estados e municípios, com diálogo constante para evitar disputas. A ideia é trazer um padrão de qualidade semelhante ao do Hospital Einstein para o SUS, garantindo segurança, equidade e justiça social, para que os pacientes recebam atendimento de que tenham orgulho e sintam-se acolhidos.

