MATEUS VARGAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A Fundação Oswaldo Cruz, conhecida como Fiocruz, e a farmacêutica EMS anunciaram um acordo nesta quarta-feira (6) para que a Fiocruz passe a produzir medicamentos em forma de caneta, usados no tratamento da obesidade e do diabetes. Esses medicamentos são conhecidos popularmente como canetas para emagrecer.
Segundo comunicado da Fiocruz, o acordo prevê a transferência da tecnologia necessária para a produção do ingrediente ativo e do medicamento acabado para a unidade Farmanguinhos, que faz parte da Fundação.
A EMS iniciou a venda neste mês dos primeiros medicamentos injetáveis feitos no Brasil à base de liraglutida, um componente que imita um hormônio natural do intestino chamado GLP-1. Esse hormônio ajuda a controlar o açúcar no sangue e promove a sensação de saciedade. Os medicamentos que usam esse princípio ativo incluem os já conhecidos Victoza e Saxenda.
A EMS recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro do ano passado para vender esses medicamentos. A Fiocruz ainda não informou quando começará a produzir os remédios, mas inicialmente a fabricação será feita nas instalações da EMS em Hortolândia, São Paulo, até que a tecnologia seja totalmente transferida para o Rio de Janeiro, onde fica Farmanguinhos.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a produção em laboratório público pode facilitar o acesso dessas canetas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Estamos incentivando estudos que provem o benefício desses medicamentos, especialmente para pessoas que aguardam cirurgia bariátrica. Se houver comprovação clara dos benefícios, o uso pode ser incorporado na rede pública”, explicou Padilha durante o evento que marcou a parceria, promovido pela Esfera Brasil e EMS.
O ministro também afirmou que a Anvisa convocará empresas interessadas em comercializar medicamentos para diabetes e emagrecimento e pretende acelerar o processo de registro desses produtos.
Padilha enfatizou que o governo quer que o Brasil domine a tecnologia relacionada aos peptídeos, como os análogos do GLP-1, atualmente usados para tratar diabetes e obesidade, com potencial para tratar outras doenças no futuro, como câncer e enfermidades autoimunes.
A EMS já comercializa as primeiras versões nacionais dos medicamentos injetáveis com liraglutida: Olire para obesidade e Lirux para diabetes tipo 2. A principal diferença entre eles é a dosagem.
Olire é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos que têm obesidade ou sobrepeso junto com outras doenças, como diabetes, pré-diabetes, colesterol alto e pressão alta. Lirux é recomendado para adultos, adolescentes e crianças acima de 10 anos com diabetes tipo 2.
Padilha também mencionou que o fim das patentes das canetas para emagrecer pode reduzir os preços desses produtos.
A farmacêutica Novo Nordisk está tentando, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), estender a validade da patente do Ozempic, uma das canetas mais usadas, com fim previsto para março de 2026.
Enquanto isso, outras empresas como EMS, Biomm e Hypera Pharma já se preparam para lançar versões genéricas do medicamento à base de semaglutida.