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quinta-feira, 22/01/2026

Fiocruz e farmacêutica firmam acordo para produção de injeção contra HIV no Brasil

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Em Brasília

BRUNO LUCCA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) –

A empresa farmacêutica Gilead Sciences, que fabrica o lenacapavir — uma injeção semestral usada para prevenir o HIV — anunciou um acordo inicial com o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz, conhecido como Farmanguinhos.

O objetivo desse acordo é estudar formas de cooperação, incluindo a possibilidade de transferir a tecnologia para fabricar o medicamento dentro do Brasil, segundo a empresa.

Essa colaboração poderá diminuir o custo do remédio e facilitar seu acesso aos brasileiros.

O Farmanguinhos confirmou o acordo, mas ressaltou que ainda é uma etapa preliminar para avaliar e discutir o lenacapavir, sem compromisso formal firmado até o momento.

A Anvisa aprovou em 12 de março o registro do medicamento no país, mas falta a definição do preço máximo pelo órgão regulador CMED. A inclusão no SUS será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e pelo governo.

O alto custo do lenacapavir é um dos principais obstáculos para sua distribuição gratuita: o tratamento custa cerca de US$ 25,3 mil por ano nos Estados Unidos, podendo chegar a US$ 44,8 mil em algumas situações.

Existem versões genéricas do medicamento que custam muito menos, mas a Gilead não autorizou a fabricação dessas versões no Brasil, como mostrou a Folha de S.Paulo.

A empresa tem feito acordos para produção de versões genéricas em 120 países com baixa renda, mas o Brasil não está incluído nem será, segundo a farmacêutica.

Apesar disso, a Gilead apoia estudos científicos no Brasil com o remédio, fornecendo doses gratuitamente. Um desses estudos será conduzido pela Fiocruz.

O projeto ImPrEP LEN Brasil vai oferecer o medicamento em sete cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas e Nova Iguaçu.

O foco é proteger grupos com maior risco de infecção: homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas como masculinas ao nascer e pessoas transgênero, de 16 a 30 anos.

A participação será voluntária. Pessoas que procurarem centros de saúde para a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) poderão escolher entre o lenacapavir ou o tratamento atual fornecido desde 2018, que combina dois antirretrovirais em comprimido diário.

A Gilead afirmou que busca um preço justo e sustentável que reflita o valor da inovação para o sistema de saúde e possibilite maior acesso, mantendo o diálogo aberto com as autoridades para encontrar a melhor forma de disponibilizar o medicamento no Brasil.

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