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quarta-feira, 25/02/2026

Fim do trabalho 6×1 pode aumentar custos das empresas em até R$ 267,2 bilhões

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Em Brasília

CRISTIANE GERCINA
FOLHAPRESS

A eliminação da escala de trabalho 6×1 — que significa trabalhar seis dias e descansar um — pode fazer com que as empresas brasileiras tenham um aumento nos custos de até R$ 267,2 bilhões por ano. Este valor corresponde a cerca de 7% da folha de pagamento total, considerando a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, conforme estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Os custos podem variar dependendo da forma como as empresas escolherem compensar as horas: contratando mais funcionários, o que é mais caro, ou pagando horas extras. No caso do pagamento de horas extras, o aumento de despesas seria de R$ 178,2 bilhões por ano. Para a indústria, o impacto seria de 11,1%, com elevação dos custos entre R$ 87,8 bilhões e R$ 58,5 bilhões conforme a estratégia.

Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho foi aprovada em comissão do Senado, prevendo que a jornada caia de 44 para 40 horas na primeira etapa e depois diminua uma hora por ano até atingir 36 horas semanais.

Entre os setores mais afetados estão a indústria da construção e as pequenas e microempresas industriais. No cenário de pagamento de horas extras, empresas com até nove funcionários terão um aumento de R$ 6,8 bilhões em custos, enquanto empresas maiores, com 250 funcionários ou mais, verão um aumento de R$ 41,3 bilhões.

No cenário de contratação de novas pessoas, o impacto seria de R$ 4,5 bilhões para as menores empresas e R$ 27,5 bilhões para as maiores. De acordo com a CNI, as pequenas empresas são mais vulneráveis por terem menor capacidade de aumentar suas equipes.

Entre os ramos da indústria, a construção lidera o aumento de custos, com uma projeção de 13,2% de alta, o que representa R$ 19,4 bilhões, seguida pela indústria de transformação (11,6%), serviços industriais de utilidade pública (5,7%) e indústria extrativa (4,7%).

Ricardo Alban, presidente da CNI, destaca que mudanças na jornada exigem cuidado, pois podem prejudicar a competitividade, o emprego formal e o crescimento econômico, afetando de modo diferente empresas de tamanhos variados e regiões distintas.

Ele explica ainda que as análises indicam que provavelmente a produção diminuirá e o custo por trabalhador aumentará, causando aumento dos gastos e perda de competitividade das empresas nacionais.

A CNI afirma que além do custo direto com mão de obra, a economia enfrentará aumento nos preços de insumos e serviços usados na produção, além de piora na produtividade devido à dificuldade de contratar e treinar novos trabalhadores.

Tais fatores combinados podem enfraquecer a competitividade das empresas no mercado interno e na concorrência internacional, resultando em menor atividade econômica e maior risco de fechamento de negócios.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o custo para as empresas pode subir 7,84% com o fim do sistema 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais. Esses custos seriam incorporados pela economia, similar ao ocorrido em outras mudanças trabalhistas anteriores.

Especialistas ouvidos pela Folha apontam que a mudança pode afetar o Produto Interno Bruto (PIB) e ocasionar perda de empregos, embora outros estudos indiquem que os impactos podem ser menores.

Empresários estão preparando uma reação no Congresso para tentar impedir a aprovação da PEC.

Setores com maiores impactos

  • Indústria da construção: aumento entre 8,8% e 13,2%
  • Comércio: alta entre 8,8% e 12,7%
  • Indústria de transformação: crescimento entre 7,7% e 11,6%
  • Agropecuária: elevação entre 7,7% e 13,5%

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