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quarta-feira, 28/01/2026

Fim da baliza no exame da CNH divide opiniões em São Paulo

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TULIO KRUSE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O fim do teste de baliza para quem faz a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) em São Paulo tem tornado as provas mais rápidas, mas gerado opiniões diferentes entre candidatos e instrutores.

Oito pessoas entrevistadas, incluindo instrutores e alunos, acreditam que essa mudança pode prejudicar a segurança no trânsito, mesmo algumas sendo a favor da novidade.

Essa alteração feita pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito) também afeta os empregos, pois muitos instrutores estão sendo demitidos. O motivo principal é que as aulas em autoescolas não são mais obrigatórias para fazer a prova.

O instrutor Diego Valim, 34, disse: “Estou preocupado, pois logo eles podem não precisar mais da gente”. Ele acompanhava alunos em exames no Tucuruvi, zona norte de São Paulo.

Uma instrutora que preferiu não se identificar comentou que estava no último dia de aviso prévio após ser demitida. A autoescola onde ela trabalhava no Jaçanã, zona norte, reduziu o número de instrutores de 38 para 7.

Segundo o Sintradete (sindicato dos trabalhadores de autoescolas), entre mil e duas mil pessoas perderam o emprego na cidade desde que a regra das 20 horas-aula obrigatórias para fazer o exame foi mudada para apenas 2 horas-aula.

O presidente do sindicato, Valdir José Lima, criticou a decisão dizendo que o ministro dos Transportes, Renan Filho, não consultou a categoria e que a mudança tira direitos dos trabalhadores.

No local do exame no Tucuruvi, alguns candidatos comemoravam o fim da baliza, enquanto outros desaprovavam a mudança. A estudante Maria Clara Cabral, 18, afirmou que a prova não reflete totalmente a habilidade de um motorista e que as autoescolas ainda terão que ensinar a baliza.

Ela disse: “No dia a dia, as pessoas podem dirigir um pouco pior, mas para a prova, é melhor”. No começo de dezembro, Maria Clara foi reprovada por errar na baliza, pois ficou nervosa.

Mas a maioria acha que a baliza deve continuar no exame. O estudante Pedro Henrique Júnior, 18, aprovado na primeira tentativa, disse: “Na rua é preciso saber fazer baliza, então é importante aprender”.

Entre mais de dez carros nos exames, nenhum era com câmbio automático. A prova com carro automático passou a ser permitida, mas as autoescolas ainda não estão adaptadas.

A redução do tempo mínimo de aula foi vista com dúvida pelos profissionais e candidatos. Diego Valim afirmou que quem quer passar precisa de 10 a 12 aulas para estar preparado.

O serralheiro Geraldo Magela da Conceição, 73, que buscava a habilitação após aulas de reciclagem, concorda que é necessário bastante prática para ser bom motorista.

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