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quinta-feira, 22/01/2026

Filha de servidor da Caesb morto no Hospital Anchieta diz que não esperava crime

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A família de João Clemente Pereira, servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), enfrenta uma dor ainda maior ao descobrir que sua morte não foi natural. A filha, Valéria Leal, revelou que só na semana passada a suspeita de homicídio foi comunicada, enquanto a Polícia Civil avançava nas investigações. O sofrimento da família aumentou com o vazamento de imagens relacionadas ao caso, causando ainda mais angústia.

João Clemente foi internado no Hospital Anchieta, em Taguatinga, no dia 4 de novembro, com tonturas. Exames mostraram um coágulo na cabeça e a família foi informada de que a cirurgia era simples, com previsão de cinco dias na UTI antes da alta. Porém, ele não voltou para casa.

Segundo Valéria, o pai saiu da cirurgia sedado e permaneceu assim até o falecimento. Foi o último momento em que tiveram contato consciente com ele.

A notícia de que a morte seria um homicídio surpreendeu os familiares. Valéria afirmou que o quadro clínico dele nunca pareceu compatível com o esperado. Ele não tinha problemas cardíacos, mas sofreu uma parada cardíaca, o que gerou dúvidas e preocupação na família. Ela tentou analisar o prontuário médico, mas não teve condições emocionais de fazê-lo. Decidiu falar agora para alertar outras famílias que podem estar passando por situações semelhantes.

O hospital informou que técnicos de enfermagem estariam envolvidos, mas o apoio às famílias foi considerado insuficiente, sem orientações claras e sem informações de contato. A principal exigência da família é a responsabilização criminal e civil dos envolvidos, questionando a presença de médicos e enfermeiros e levantando a possibilidade de que, com uma ação anterior, a morte poderia ter sido evitada.

Novos casos suspeitos

A Polícia Civil do Distrito Federal também investiga se outros dois pacientes do Hospital Anchieta podem ter sido vítimas dos mesmos suspeitos. Familiares reconheceram o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, que atendeu pacientes internados em agosto e setembro, ambos com morte após paradas cardíacas súbitas.

Um dos casos envolve uma mulher de 80 anos, cuja filha viu o técnico próximo ao quarto antes da parada cardiorrespiratória. O outro é de um homem de 89 anos, morto em agosto. A investigação foca em prontuários e exames sem necessidade de exumação.

Casos divulgados até agora

Até o momento, a Polícia Civil investiga oficialmente três mortes ligadas a técnicos de enfermagem: João Clemente Pereira, de 63 anos; Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33; e Miranilde Pereira da Silva, de 75. No caso de Marcos Moreira, a família relata que ele melhorou antes de piorar repentinamente, resultando em uma parada cardíaca fatal em 1º de dezembro.

Há suspeitas de que tenham ocorrido aplicações irregulares de medicamentos durante as internações. Em um caso, a professora aposentada Miranilde teria recebido múltiplas injeções de desinfetante na veia.

Os três técnicos presos são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, principal acusado, além de Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, acusadas de encobrir as ações. Marcos Vinícius inicialmente negou envolvimento, mas confessou após ser confrontado com imagens das câmeras de segurança.

A polícia aponta que as paradas cardíacas ocorreram após a aplicação de medicamentos em doses incompatíveis com qualquer prescrição médica. Os acusados responderão por homicídio qualificado, com penas que podem chegar a 30 anos de prisão por cada caso.

Posicionamentos

Entidades da área de enfermagem acompanham o caso. O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal solicitou acesso formal aos autos, respeitando o segredo de justiça. Uma ex-técnica do hospital afirmou que a unidade sempre teve reconhecimento por seus processos internos e acredita que a comissão de óbitos demonstra compromisso com a segurança dos pacientes.

O Hospital Anchieta declarou que identificou situações atípicas, abriu investigação interna em menos de 20 dias, comunicou as autoridades e ofereceu apoio psicológico às famílias, respeitando o direito à privacidade dos envolvidos.

A investigação, chamada Operação Anúbis, começou em janeiro e resultou nas prisões temporárias dos suspeitos, além da apreensão de materiais eletrônicos. A Polícia Civil aguarda laudos periciais para esclarecer detalhes dos crimes e possíveis comunicações entre os investigados. Não descarta a existência de outras vítimas, inclusive em hospitais onde os suspeitos possam ter trabalhado antes. Novas famílias também procuraram a polícia relatando mortes suspeitas no mesmo hospital.

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