Adriana Fernandes
Folhapress
O presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Junior, anunciou que a fila de pedidos de benefício deve cair para cerca de 1,3 milhão até o final deste ano.
Após atingir o recorde de 3,126 milhões em fevereiro, Waller Junior antecipou à Folha que a fila diminuiu em março para 2,985 milhões, marcando uma redução significativa com análise recorde de pedidos em um único mês, fazendo com que o número ficasse abaixo de 3 milhões em todo o país.
A queda de 141 mil pedidos interrompeu uma sequência de aumentos que vinha desde julho do ano passado. Nos três meses anteriores (dezembro, janeiro e fevereiro), a fila manteve-se acima de 3 milhões.
Gilberto Waller Junior afirmou que buscará investimentos para acelerar a redução da fila no primeiro semestre e levar o número para níveis mais aceitáveis, mesmo enfrentando instabilidades nos sistemas.
Ele também pretende propor ao governo a prorrogação do pagamento de bônus extraordinários aos servidores até dezembro, para acelerar ainda mais o processo.
“A ideia é trabalhar para que durante o mês o estoque fique dentro do prazo legal de 45 dias, reduzindo processos pendentes além desse prazo”, explicou. “Se conseguirmos mais investimentos, poderemos chegar a números melhores até julho.”
Para Waller Junior, o ideal é processar todos os pedidos que chegarem no sistema dentro do mês, estimando cerca de 1,3 milhão de requerimentos.
Ele negou a existência de qualquer orientação governamental para reduzir a concessão de benefícios no segundo semestre de 2025, reiterando que não há intenção de bloquear direitos para economizar.
Em janeiro de 2024, a fila estava em cerca de 1,57 milhão de pedidos e fechou o ano anterior com 2,04 milhões. O ritmo de análises aumentou nos últimos meses de 2025 e começo de 2026, pressionado inclusive pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Reduzir a fila é a prioridade número 1 do governo. Nunca se falou em cortar direitos para economizar. Isso é impensável”, afirmou.
Ele reforçou que acelerar a fila aumenta gastos imediatos com benefícios, mas evita custos maiores com pagamentos retroativos corrigidos pela Selic, pagos quando o benefício começa a ser recebido.
O INSS enfrenta pressão interna e externa para reduzir a fila até o ano eleitoral, evitando desgaste para o presidente Lula na campanha para seu quarto mandato. Este é o primeiro ano em que o governo divulga dados oficiais da fila, que fechou 2025 em 3,039 milhões.
“Temos uma média de 60% de concessão sobre o total de pedidos, o que gera impacto financeiro e demanda complementação orçamentária. Mas reafirmo: nunca consideramos cortar direitos para economizar”, reforçou o presidente do INSS.
Nos próximos dias, o INSS enviará aos ministérios do Planejamento e Fazenda novas previsões de despesas, considerando a aceleração do pagamento dos benefícios, para subsidiar o relatório bimestral de avaliação do orçamento que sai em 24 de março.
A estratégia fiscal do Ministério da Fazenda para o último ano do governo Lula é economizar agora para administrar os custos da redução da fila até o final de 2026.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, orientou a equipe a fazer um bloqueio mais rigoroso de despesas no primeiro relatório do Orçamento de 2026 para mostrar um controle realista das contas.
Em janeiro deste ano, o INSS lançou uma portaria retomando o programa de bônus extraordinários para servidores e outras medidas para reduzir a fila de análise de benefícios.
O novo Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) criou uma fila nacional para analisar benefícios como aposentadorias, auxílios-doença e revisão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda.
Essa centralização permite que servidores de regiões com menor demanda ajudem as áreas com maior espera. Os funcionários que realizarem trabalho extra podem ganhar até R$ 17,7 mil por mês, com pagamento de R$ 68 por tarefa extra.
As medidas incluem grupos especializados para analisar 65 mil benefícios em 2026, mutirões de análise e antecipação de perícias médicas pelo Ministério da Previdência Social.
O maior represamento é para o benefício de incapacidade temporária (auxílio-doença). Para outros benefícios, o INSS alcançou uma taxa de absorção da demanda de 108,57%, concluindo mais processos do que novos pedidos recebidos.
Gilberto Waller Junior destacou que essa é a maior quantidade de processos concluídos nos últimos 18 meses, com 674.195 requerimentos atendidos, e houve redução do tempo de espera para início e fim das análises.
Segundo ele, a descentralização com a fila nacional e a atuação dos grupos de trabalho trarão maior agilidade para resolver o represamento histórico.
