Lucas Leite
Folhapress
O Ministério da Educação (MEC) inicia nesta terça-feira (3) as inscrições para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do primeiro semestre de 2026.
Este programa do governo federal fornece financiamento sem juros para estudantes cuja renda familiar por pessoa seja de até três salários mínimos. O pagamento do valor financiado começa após o término do curso, com parcelas que se ajustam conforme a renda do estudante.
Os interessados devem se inscrever no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior até sexta-feira (6). O resultado será divulgado em 19 de fevereiro.
Podem participar os candidatos que tenham obtido notas de pelo menos 450 pontos no Enem desde 2010, sem ter zerado a redação, e com renda familiar mensal de até três salários mínimos (R$ 4.863) por pessoa.
Metade das vagas é destinada ao Fies Social, que beneficia estudantes com renda familiar de até meio salário mínimo (R$ 810,50) e inscritos no CadÚnico, o cadastro único dos programas sociais do governo.
O que avaliar antes de contratar o Fies?
Para ajudar os candidatos, a Folha conversou com Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, que aponta dicas importantes antes de tomar a decisão.
Antes de solicitar o financiamento, é essencial avaliar o propósito do curso escolhido. Segundo Inhasz, o estudante deve refletir se o curso está alinhado com seu projeto de vida e planos profissionais de longo prazo.
“Não adianta financiar qualquer curso. Se eu queria engenharia e acabei cursando pedagogia, mas isso não é meu plano, talvez precise reconsiderar para aproveitar bem o financiamento”, orienta a economista.
Além disso, fatores como a empregabilidade, a demanda do mercado, os salários previstos e a qualidade do curso na instituição escolhida devem ser analisados cuidadosamente.
“Se a instituição não oferece boa formação ou o curso não é valorizado, o retorno financeiro após a formatura será limitado, tornando o investimento menos vantajoso.”
Faça simulações e pesquise
Um erro comum entre os candidatos é basear a decisão apenas no benefício de não pagar mensalidades durante o curso. Inhasz destaca que é fundamental calcular o valor total da dívida e o tempo para quitá-la. Mesmo com juros subsidiados, o custo final pode aumentar com o tempo.
Por isso, a recomendação é clara: faça simulações antes de assinar o contrato.
“O estudante deve projetar sua renda futura e comparar com o valor da parcela do financiamento. Muitos fecham negócio sem pensar nisso e esquecem que terão que pagar depois. É aí que surgem os riscos”, alerta.
Ela aconselha evitar financiar 100% do valor sempre que possível, pois isso gera um estresse financeiro grande após a formatura.
Conheça as condições do financiamento
Ao assinar o contrato, atenção redobrada é necessária. A professora do Insper destaca a importância de ler com cuidado as cláusulas, especialmente as que costumam passar despercebidas.
Entre os pontos fundamentais estão:
- início do pagamento da dívida
- penalidades por atraso
- encargos aplicados
- condições para renegociação
“Pode parecer óbvio, mas muitos assinam sem analisar essas informações. Não é para desistir por causa das multas, mas para entender bem o compromisso assumido”, explica.
O financiamento é um compromisso prolongado
Outro ponto importante é entender que o compromisso com o Fies não acaba na matrícula. O acompanhamento do financiamento deve ser constante durante toda a graduação.
Alterações na renda, trancamento do curso ou troca de instituição ou área exigem atualizações contratuais imediatas para evitar problemas futuros.
“Quando o estudante conhece as regras e acompanha o financiamento, consegue evitar dificuldades no futuro.”
Calendário do Fies 2026 – 1º semestre
- Inscrições até 6 de fevereiro
- Divulgação do resultado da pré-seleção em 19 de fevereiro
- Complementação da inscrição de 20 a 24 de fevereiro
- Pré-seleção na lista de espera de 26 de fevereiro a 10 de abril
