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sábado, 14/03/2026




FGC retira R$ 3 bilhões da massa falida do Cruzeiro do Sul e credores pedem devolução

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JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) está em uma disputa judicial com outros credores do Banco Cruzeiro do Sul, que foi declarado oficialmente falido em 2015, para receber seus créditos.

Recentemente, o FGC retirou R$ 3 bilhões da massa falida como um adiantamento sobre o pagamento que tem a receber. Esse valor foi substituído por títulos do Tesouro atrelados à Selic, após autorização da Justiça.

Algumas instituições, que também têm créditos a receber, entraram com recurso contra essa antecipação, argumentando que a troca não seguiu as regras do processo de falência e que os títulos do Tesouro não equivalem ao valor retirado, já que os recursos foram aplicados em um fundo de renda fixa do Banco do Brasil que oferece rendimento mensal. O juiz Eduardo Azuma Nishi acolheu o pedido e determinou que o FGC devolva a troca até a sexta-feira (13). No entanto, o FGC recorreu da decisão.

O resgate foi solicitado pelo FGC em dezembro de 2024 para evitar que os recursos percam valor pela inflação, já que o fundo é credor subordinado e não tem correção monetária sobre o valor a receber.

O processo para pagar os credores é lento. O Cruzeiro do Sul ainda deve R$ 5 bilhões, contra R$ 6 bilhões de dívida total na época da falência, há dez anos.

O pedido para que o FGC devolva os R$ 3 bilhões foi feito pelo escritório Levy & Salomão, que representa fundos estrangeiros Moneda e Silver Point, logo após o saque ser autorizado em 2025.

Rafael Zabaglia, sócio do escritório, afirma que sem o valor aplicado no fundo do BB atrelado à Selic, os credores deixam de ganhar cerca de R$ 45 milhões por mês em rendimentos, justificando a devolução dos recursos.

O FGC argumenta que os títulos do Tesouro, que substituem o valor retirado, renderão mais, pois não há taxas como em fundos de investimento, estimando um ganho maior de R$ 50 milhões.

“Mesmo se os títulos vencerem durante os contratos, o FGC se compromete a recompor imediatamente as garantias, garantindo segurança”, declarou o fundo.

Por trás da disputa, há um questionamento sobre a responsabilidade do FGC na falência, já que era o liquidante do banco. Há um processo em que alguns credores acusam o FGC de retirar CDBs do banco dois dias antes da falência, diminuindo os ativos a serem divididos.

Para encerrar as disputas, o escritório Levy & Salomão propôs um acordo no qual o FGC pagaria R$ 943,5 milhões pela retirada antecipada dos CDBs, encerrando os processos e a falência, proposta esta que o FGC deve negar para continuar buscando os R$ 3 bilhões na Justiça. O fundo não comentou o caso.

CASO MASTER

Com a liquidação do Banco Master, o caixa do FGC diminuiu quase pela metade após pagar garantias. Para recompor o fundo, os bancos vão adiantar suas contribuições obrigatórias.

A antecipação dessas contribuições começará em 25 de março, totalizando um valor de R$ 32,5 bilhões ao longo de 60 meses.

O valor que o FGC precisa ressarcir relacionado ao caso Master é de R$ 58 bilhões. Em junho de 2025, o fundo tinha uma liquidez de R$ 121 bilhões.




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