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quinta-feira, 29/01/2026

Fazendeiro exige pagamento em negócio de carbono na Amazônia

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ANDRÉ BORGES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Uma disputa envolvendo a família de Daniel Vorcaro tenta viabilizar um negócio bilionário de créditos de carbono na Amazônia, mas o caso envolve terras questionadas, valores altos e pagamentos feitos de forma contestada.

Marco Antonio Melo, que está em conflito com a União sobre a posse de uma área no município de Apuí (AM), afirma que recebeu R$ 15 milhões como sinal para permitir o uso das árvores e da vegetação da Fazenda Floresta Amazônica para gerar créditos de carbono. Porém, o projeto não saiu do papel devido à falta de valor real desses créditos no mercado.

O dinheiro foi repassado por meio de depósitos bancários, intermediados por José Antônio Ramos Bittencourt. Melo diz que prometiam pagamentos adicionais em dinheiro, mas entregaram cotas em fundos geridos pela Reag, que tinham valores superestimados relacionados às empresas Global Carbon e Golden Green, avaliadas em R$ 45,5 bilhões.

“Recebi essas cotas que não valem nada”, afirmou Melo, que desconhecia a participação da família Vorcaro no negócio na época do acordo.

O contrato foi firmado entre Melo e Bittencourt, mas os pagamentos vieram de empresas controladas pelos familiares de Daniel Vorcaro, incluindo a Alliance, liderada por Henrique Moura Vorcaro e Natália Bueno Vorcaro Zettel. Melo não detalhou a função da ABM Participações, outra empresa envolvida.

Melo se sente enganado porque esperava 12 parcelas em dinheiro referentes a 10% dos lucros do negócio de créditos de carbono, mas recebeu apenas cotas sem valor de mercado, que foram avaliadas internamente.

Um contrato de opção de compra e venda foi assinado em agosto de 2022, dando à Alliance 80% dos créditos gerados na fazenda, enquanto Bittencourt ficou com 20%.

Mesmo avaliadas em bilhões, as empresas Golden Green e Global Carbon não venderam créditos. Melo acreditava que receberia R$ 2,6 bilhões em dinheiro baseado na avaliação desses ativos, mas recebeu cotas que não se concretizaram em valores reais.

A Alliance declarou que o terreno arrendado pode ser uma terra pública e que busca ser ressarcida pelos valores pagos e por perdas causadas, adotando medidas legais para recuperar o dinheiro.

Melo defende que sua posse é legítima e possui escritura do imóvel. O Incra, responsável pela área, afirma que ela pertence à União e está destinada a um projeto de reforma agrária, alegando que o negócio é irregular e registra ação administrativa e judicial.

O Incra também bloqueou o registro da terra em sistemas oficiais para evitar negociações irregulares.

José Antônio Ramos Bittencourt afirmou que informou sobre a origem dos ativos ambientais e sua regularização, e que o projeto foi suspenso após a questão fundiária ser apontada, interrompendo todos os pagamentos futuros. Ele também negou vínculos com a Alliance ou envolvimento nas investigações relacionadas à Reag e ao banco Master.

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