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sexta-feira, 10/04/2026

Fazenda organiza encontro para discutir economia circular até 2026

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Em Brasília

O Ministério da Fazenda realizou, nesta quinta-feira (9/4), em Brasília, uma reunião para planejar as ações do projeto Promoção da Economia Circular para a Transformação Econômica Socioecológica (PromEC) para o ano de 2026. O encontro contou com representantes de vários órgãos para definir as principais prioridades em quatro áreas: políticas públicas, modelos de negócios circulares, acesso a financiamentos e governança participativa.

Participaram da reunião representantes do Ministério da Fazenda (MF), dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), além do Sebrae, da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ).

Os debates foram organizados em painéis que trataram da situação da economia circular no Brasil, o andamento das políticas públicas, a estratégia de comunicação do projeto e os desafios e oportunidades para o próximo ciclo. A economia circular faz parte do Eixo 5 do Plano de Transformação Ecológica (PTE) do governo federal, que inclui incentivos regulatórios, fiscais e financeiros para promover a produção sustentável, reciclagem e reutilização de resíduos, com iniciativas como o fechamento de lixões, incentivo a biodigestores e fortalecimento da logística reversa.

Matias Cardomingo, subsecretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Fazenda, destacou a importância do PromEC para estruturar a agenda de economia circular e ressaltou a relevância da Taxonomia Sustentável para atrair investimentos do mercado financeiro. “Hoje alinhamos as prioridades de cada instituição dentro do projeto. Para o Ministério da Fazenda, é importante destacar o papel do PromEC em reunir equipe e recursos para essa agenda”, afirmou.

Carolina Grottera, subsecretária de Transformação Ecológica, ressaltou os avanços do tema no governo federal e a inserção da economia circular em mecanismos de financiamento, como a Lei de Incentivo à Reciclagem e editais de órgãos como Finep, BNDES e Banco do Nordeste. “Em três anos, criamos uma cultura de economia circular no governo. Para mim, a circularidade é um meio para conservar a biodiversidade e enfrentar a mudança climática”, disse.

O projeto PromEC faz parte da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável e apoia a criação da Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC). O diretor do projeto pela GIZ, Nico Kohlhas, avaliou positivamente o primeiro ano de execução e ressaltou a importância estratégica do Brasil como parceiro global para o Ministério alemão de Cooperação e Desenvolvimento (BMZ). “Graças aos esforços de muitas instituições, especialmente o MDIC, MMA e Fazenda, avançamos muito no último ano. O Brasil é um parceiro global importante para o BMZ”, afirmou.

Lucas Maciel, secretário adjunto de Economia Verde do MDIC, destacou que a economia circular depende do envolvimento dos setores produtivos. “A economia circular é uma agenda produtiva que precisa do compromisso da indústria. Sem produção, não há circularidade”, explicou. Ele também falou sobre a integração da Indústria 4.0 com modernização das cooperativas de reciclagem, por meio do Programa Nacional de Investimento na Reciclagem Popular (Pronarep).

Eduardo Rocha, diretor de Gestão de Resíduos do MMA, ressaltou a urgência de novos modelos para o manejo de resíduos, considerando o crescimento esperado na geração de lixo e os limites ambientais do planeta. “Com a previsão de aumento de resíduos, a economia circular é essencial para garantir a segurança ambiental. Sem ela, o planeta não sustentará a qualidade de vida necessária”, afirmou.

Augusto Togni, coordenador de Orientação e Educação Financeira do Sebrae Nacional, destacou o desafio de envolver pequenos negócios, já que 84% deles desconhecem a economia circular. O Sebrae atua para incluir esses negócios e expandir a capacitação, com o programa Pró-Catadores previsto para chegar a 21 estados em 2026.

Gabriela Oliveira, oficial de Gestão de Programas da Cepal, apresentou a visão macroeconômica da transição, citando oportunidades em mobilidade elétrica e reciclagem de baterias. “Para nós, a economia circular é uma agenda que conecta inclusão social, justiça social e capacidade produtiva”, explicou.

As equipes técnicas também definiram metas para o PromEC até 2026: criar três novos instrumentos econômicos inclusivos, estabelecer canais permanentes de diálogo com a sociedade civil e capacitar mais de 250 técnicos e gestores em práticas de economia circular pelo país.

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