O cheiro de churrasco tomava conta do gramado, crianças corriam para todos os lados, e famílias se reuniam ao redor das mesas para celebrar o Dia dos Pais no Parque da Cidade. Muitos brasilienses preferiram aproveitar o domingo ao ar livre, trocando o conforto das casas pelo ambiente acolhedor do parque, um dos locais mais conhecidos da capital.
Entre pais, filhos, avôs e netos, alguns chegavam para um almoço em família, outros para colocar a conversa em dia, e muitos simplesmente mantinham uma tradição de longa data. As histórias compartilhadas neste encontro tinham algo comum: o desejo de estar próximo das pessoas queridas.
Um legado que passa de pai para filho
Para o barbeiro Vitor Ricardo, 41 anos, escolher o Parque da Cidade para a comemoração não é novidade. Nascido em Brasília, ele conta que a família sempre usa o espaço para várias ocasiões, seja churrasco, atividades ou simplesmente encontros.
“Este é um lugar muito agradável e turístico de Brasília. Todo mundo vem aqui para estar com a família e os amigos. Por isso escolhemos este local para celebrar o Dia dos Pais”, afirmou.
Essa comemoração também foi momento para lembrar quem não estava presente fisicamente. Falando sobre seu pai, Vitor lembrou os ensinamentos que recebeu e que tenta transmitir ao seu filho. “Meu pai já não está conosco, mas vive em nossos corações. Ele nos deixou valores importantes como amor, união familiar e caráter. Estamos carregando o legado dele”, disse.
O filho de Vitor, João Vítor Mota, 22 anos e também barbeiro, valoriza o amor como principal lição transmitida pelo pai. Para ele, reunir a família ao redor de um churrasco e uma boa conversa faz parte da forma como foram ensinados a comemorar essa data especial.
“Sempre tivemos o costume de nos reunir e conversar. A companhia da família é algo que sempre esteve presente. Reservar um tempo para estar junto de quem amamos é fundamental”, explicou. Segundo ele, a rotina atribulada torna essa aproximação ainda mais importante. “Aqui em Brasília, fazer um churrasco, rir e trocar ideias com a família é algo básico e prazeroso.”
Uma história que passa por gerações
Nas proximidades, outra família tinha uma conexão com o Parque da Cidade que começa muito antes dos filhos e netos. O mecânico Joaquim Inocêncio, 56 anos, frequenta o local desde os 12 anos. Foi ali que viveu momentos importantes com a esposa, com quem está casado há 40 anos.
“Eu vinha aqui desde pequeno. Namorava aqui com minha esposa, e hoje temos 40 anos juntos. Meus filhos cresceram aqui, meus netos também. É uma tradição muito forte para a família”, contou.
Celebrar o Dia dos Pais no parque não é um evento isolado para eles. O espaço recebe encontros em outras datas comemorativas, como Dia das Mães e aniversários, reunindo quase todos familiares em muitas ocasiões.
Joaquim é pai de três filhos e avô de seis netos. A família toda estava reunida com filhos, noras, esposa e até a sogra. “É uma sensação incrível ver todos juntos. Minhas noras são como filhas para mim e me tratam como pai”, afirmou.
De filho para pai
Entre os filhos de Joaquim está o empresário Thiago Henrique, 34 anos, pai de quatro filhos e esperando o quinto. Ele participa da comemoração em uma dupla condição: ainda é filho e, ao mesmo tempo, homenageado pelos próprios filhos no Dia dos Pais.
A ideia de passar o domingo no parque partiu do Joaquim. Segundo Thiago, a família sempre respeita a vontade do pai para escolher o local da celebração, e nos últimos anos o Parque da Cidade tem sido a preferência.
Voltar agora acompanhado dos filhos faz a experiência ter um significado especial. Thiago lembra que, quando criança, frequentava o parque com seu pai, e hoje vê seus próprios filhos desfrutando de momentos semelhantes.
“Eu vinha aqui com ele quando era criança, da idade dos meus filhos atuais. Retornar para celebrar o Dia dos Pais com ele e meus filhos na mesma idade é uma sensação muito boa e emocionante”, disse.
O Joaquim ensinou o valor do trabalho, da educação e do respeito, mas também a importância de estar presente. Thiago afirma: “Meu pai sempre esteve presente, sempre colocou a família em primeiro lugar. É esse legado que ele deixou e que eu tento seguir. Não é à toa que estou aqui com meus filhos hoje.”
Ao final, entre a fumaça dos churrascos, as conversas demoradas e as crianças brincando no parque, esse domingo representou mais do que uma data no calendário. Para famílias como as de Vitor e Joaquim, o Dia dos Pais foi uma oportunidade de perceber como os ensinamentos passam de geração em geração. O filho que um dia foi levado pelo pai ao parque agora retorna, segurando a mão dos próprios filhos.
