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Brasília

Famílias celebram memória e carinho no Dia de Finados em Taguatinga

Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Flores delicadamente colocadas sobre os túmulos, orações silenciosas e lembranças que permanecem firmes com o passar do tempo marcaram o Dia de Finados no Cemitério São Francisco de Assis, em Taguatinga Norte, na segunda-feira (2). Para muitas famílias, a data é muito mais do que uma simples visita ao local onde estão os entes queridos. É um momento de recordar histórias, manter tradições e encontrar na fé e na memória um jeito de conservar viva a presença de quem partiu.

Mais de 600 mil pessoas visitaram os seis cemitérios públicos do Distrito Federal durante o feriado, conforme balanço da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF). Para atender os visitantes, a secretaria montou tendas de apoio nas unidades e realizou 1.203 atendimentos, sendo 210 em Taguatinga. Os serviços incluíram orientações sobre procedimentos funerários, registros de ouvidoria e suporte psicossocial.

Entre os visitantes, a assistente administrativa Shisley Ramalho, 37 anos, esteve acompanhada da família para lembrar o irmão, falecido há dois anos e quatro meses, e um sobrinho que nasceu sem vida recentemente. Ela guarda na memória os momentos vividos com o irmão, o único homem entre os seis filhos da família, com apenas dois anos de diferença entre eles.

“A gente tem muita memória dele por ser o único irmão homem e pela infância que compartilhamos. Ele tinha dois anos a mais, então as lembranças são muito fortes”, conta. Para a família, cuidar do túmulo é uma forma de demonstrar amor e manter os laços afetivos.

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“Normalmente, arrumamos o túmulo, colocamos flores e, principalmente, rezamos para que ele esteja em paz”, relata.

As visitas não se limitam ao Dia de Finados. Durante o ano, os familiares se revezam para estar perto dos entes queridos. “Sempre uma pessoa está lá em algum momento”, destaca.

O empresário Edson Ornelas, 39 anos, de Ceilândia, também mantém a tradição que começou na infância. Ele frequentava o cemitério com os pais e a irmã para cuidar dos túmulos dos avós e outros familiares. Após o falecimento dos pais, essa rotina se tornou ainda mais significativa.

“Desde criança, eu e minha irmã ajudávamos a cuidar dos túmulos. Era uma maneira de demonstrar carinho pelos entes queridos”, relembra.

Hoje, ele continua essa prática com a irmã e a sobrinha, levando flores, organizando os locais e dedicando tempo às orações. “É uma forma de manter a proximidade com os que partiram”, afirma. Para ele, repetir esses gestos é também um modo de ensinar às gerações futuras o respeito pela história da família.

Nem todos que visitaram o cemitério foram para homenagear familiares sepultados ali. O servidor público Leandro Ribeiro, 49 anos, esteve com a esposa, duas filhas e genro. Moradores de Taguatinga, eles escolheram o local pela proximidade e pela tradição religiosa.

Mesmo sem parentes enterrados no local, a visita faz parte da fé católica da família. Participaram de missa e fizeram orações pelos falecidos. “Ir ao cemitério é um ato de caridade e misericórdia pelos irmãos que já partiram”, explica.

“Ao andar entre os túmulos, reflito sobre a vida e os laços que construí”, diz Leandro, destacando a profundidade que a caminhada pelo local traz no dia 2 de novembro.

A Sejus-DF também organizou uma estrutura de apoio aos visitantes, oferecendo orientações sobre direitos, custos e procedimentos funerários, além de canais para reclamação. No Cemitério São Francisco de Assis, foram registrados 210 atendimentos, o segundo maior número entre as unidades, atrás somente da Asa Sul, com 387.

Ao todo, no Distrito Federal, os 1.203 atendimentos se dividiram entre 1.129 orientações gerais, 61 registros de ouvidoria e 13 atendimentos psicossociais. Além de Taguatinga e Asa Sul, outras unidades receberam: Gama (195), Sobradinho (140), Brazlândia (139) e Planaltina (132).

“Nosso objetivo é garantir organização e acolhimento, pois sabemos que é um momento de saudade e fragilidade para muitos”, afirmou o secretário interino Jaime Santana.

Estrutura e trânsito

Para facilitar a visitação durante o feriado, a concessionária Campo da Esperança Serviços Ltda., que administra os cemitérios do Distrito Federal, adotou um esquema especial. As unidades abriram às 7h, uma hora antes do horário de costume, com entrada permitida até as 18h e fechamento às 19h.

O Cemitério São Francisco de Assis contou com missas durante o dia e ofereceu transporte interno gratuito, com 11 vans distribuídas entre as unidades de Asa Sul, Taguatinga, Gama e Sobradinho, operando a cada 15 minutos em média.

Para facilitar a localização dos túmulos, o local disponibilizou seis computadores e um totem de consulta, além de reforçar o atendimento ao público e suporte nas equipes.

O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) promoveu mudanças no tráfego próximo aos cemitérios, especialmente na Avenida Hélio Prates, em Taguatinga Norte, para organizar o fluxo de visitantes. O acesso de veículos dentro do cemitério foi restrito a idosos, pessoas com deficiência ou autistas com autorização especial.

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