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terça-feira, 20/01/2026

Família não desconfiava de crime após morte em hospital no DF

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Raquel Lopes
Folharess

O funcionário público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, foi uma das vítimas de três técnicos de enfermagem presos pela Polícia Civil do Distrito Federal. Eles são suspeitos de três assassinatos no Hospital Anchieta, uma clínica particular em Taguatinga.

O advogado Vagner de Paula contou que a família está muito triste e até a semana passada não imaginava que Marcos teria sido morto. “A família enterrou pensando que ele tinha morrido de pancreatite aguda, mas depois soubemos que ele foi assassinado. Era uma morte que parecia inevitável”, disse ele. Marcos faleceu no dia 1º de dezembro de 2025.

A polícia continua investigando o motivo dos crimes. Também são investigadas as mortes da professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, e do servidor público João Clemente Pereira, 63 anos, que também podem ter sido vítimas do grupo.

A polícia está verificando se existem outros casos no mesmo hospital e em outras instituições onde os suspeitos trabalharam, tanto em hospitais públicos quanto privados. Duas prisões foram feitas em 12 de janeiro e a terceira em 15 de janeiro.

O delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), informou que o principal suspeito, de 24 anos, inicialmente negou estar envolvido, mas confessou depois de ser mostrado vídeos.

O advogado da família contou que Marcos chegou ao hospital com suspeita de pancreatite. No hospital, ele teve duas paradas cardíacas e não tinha histórico de problemas no coração.

Segundo o advogado, os técnicos aplicaram um remédio em dose muito alta, conforme o delegado explicou à família. Um dos técnicos disse que fez isso para “aliviar o sofrimento” dos pacientes.

Marcos trabalhava nos Correios. O sindicato dos trabalhadores dos Correios e Telégrafos do DF condenou o crime e pediu justiça para a família e os amigos da vítima.

“As investigações mostram que o técnico entrou no sistema médico e prescreveu irregularmente Cloreto de Potássio, preparou e aplicou no leito de Marcos. Logo depois da aplicação, ele teve uma parada cardíaca e morreu”, disse o sindicato em nota.

O sindicato dos professores do DF manifestou pesar pela morte da professora Miranilde Pereira da Silva. Ela faleceu em 17 de novembro de 2025. O sindicato ressaltou que ela foi uma professora dedicada e que marcou a vida de muitas crianças, fortalecendo a escola pública.

O delegado explicou que o medicamento usado, fora do protocolo médico, pode causar parada cardíaca em poucos minutos. O remédio foi usado em pelo menos três vítimas: duas no dia 17 de novembro e uma no dia 1º de dezembro.

De acordo com Salomão, o técnico acessou o sistema hospitalar sem permissão, fingindo ser médico para prescrever o remédio. Ele buscou o remédio na farmácia, preparou, escondeu no jaleco e aplicou diretamente na veia dos pacientes.

Depois, o técnico fingia fazer massagem cardíaca para parecer que estava tentando salvar as pessoas, mesmo sabendo que o remédio causaria a morte.

Em um caso, quando não havia o remédio disponível, o técnico injetou desinfetante na veia da vítima mais de dez vezes para garantir a morte, repetindo a farsa de socorro. “Ele colocou desinfetante na veia mais de dez vezes”, informou o delegado.

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