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quarta-feira, 28/01/2026

Família culpa médicas por falta de cuidado após cirurgia causar grave dano no cérebro no Recife

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LUIS EDUARDO DE SOUSA E JOSUÉ SEIXAS
SÃO PAULO, SP, E RECIFE, PE (FOLHAPRESS)

Os parentes de Camila Miranda de Wanderley Nogueira de Menezes, de 38 anos, acusam duas médicas de não terem cuidado bem durante uma cirurgia simples realizada no Hospital Esperança, da Rede D’Or, no Recife.

Camila foi internada em 27 de agosto de 2025 para retirar a vesícula e consertar uma hérnia na região da virilha, procedimentos comuns e de baixa complexidade.

Após ser anestesiada, ela sofreu sete paradas respiratórias seguidas que provocaram uma parada cardíaca, conforme perícia contratada pela família. Isso causou um dano sério no cérebro, fazendo com que camila perdesse funções básicas e ficasse internada na UTI desde então.

O laudo da perícia, enviado à Folha de S.Paulo, aponta que as médicas ignoraram vários alertas do monitor médico que indicava perigo, durante um período de 27 minutos, com quedas significativas da oxigenação do sangue.

A família denunciou uma das médicas ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O conselho informou que está investigando o caso em sigilo.

O Hospital Esperança informou que as médicas não fazem parte do seu quadro e teriam sido escolhidas pela paciente. A defesa da cirurgiã Clarissa Guedes Noronha declarou que a cirurgia foi feita corretamente e que a responsabilidade pela monitoração era da anestesiologista.

A anestesiologista Mariana Parahyba disse que responderia até 26 de agosto, mas posteriormente seus representantes informaram que não fariam comentários no momento.

Camila Nogueira é servidora pública da Justiça de Pernambuco e filha do juiz federal Roberto Nogueira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Ela é casada, mãe de dois filhos, e também trabalha como consultora de moda.

Segundo o pai, Camila não fala, não anda e não enxerga mais, embora respire sozinha. Ele relata cuidar dela intensamente, comparando seu estado ao de um bebê.

Câmeras de segurança mostram que Camila chegou ao hospital andando às 5h, acompanhada do marido, o médico Paulo Menezes. Ela foi admitida às 5h24.

A perícia detectou o primeiro alerta de apneia no monitor às 10h47, indicando problema grave na respiração. A paciente ficou quase dois minutos sem respirar, o que exigia ação imediata.

Alertas seguintes indicaram quedas repetidas e graves da oxigenação, que não foram tratadas adequadamente, levando a uma parada cardiorrespiratória por volta das 11h16.

Após 15 minutos sem sinais vitais, a paciente foi reanimada, mas com danos sérios. Relatos indicam falta de atenção e falha na resposta da equipe durante o procedimento.

A família pretende mover ação judicial para esclarecer os fatos e buscar reparação pelos danos sofridos.

O Hospital Esperança afirmou ter prestado todo o suporte após o incidente e ressaltou seu compromisso com a qualidade e segurança do atendimento.

A cirurgiã Clarissa Guedes reafirmou que atuou com precisão durante a cirurgia e que o monitoramento era responsabilidade da anestesiologia, não havendo falha no ato cirúrgico em si.

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