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quarta-feira, 11/02/2026

Falta de banheiros em estações do metrô causa problemas para passageiros no DF

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Em Brasília

A ausência de banheiros públicos nas estações do metrô do Distrito Federal tem causado muitos transtornos para os usuários. Isso afeta principalmente trabalhadores das regiões mais afastadas, que enfrentam longos trajetos até o centro de Brasília. A maioria das estações possui banheiros exclusivos para funcionários, sem acesso para o público, o que dificulta a higiene básica durante as viagens.

Na Estação Central, situada na Rodoviária do Plano Piloto, os passageiros não têm banheiros disponíveis no metrô e são orientados a usar os sanitários da rodoviária. Caso estejam em manutenção, os usuários precisam se deslocar até o shopping Conjunto Nacional ou outras áreas externas, que são privadas e nem sempre acessíveis, especialmente em momentos de urgência.

Além do desconforto, a falta de banheiros causa gasto extra, pois quem precisa sair e retornar ao sistema deve pagar nova passagem. Das 27 estações, apenas 3 — 102 Sul, 112 Sul e 114 Sul — oferecem banheiros públicos funcionando normalmente, todas na Asa Sul. As demais estações possuem apenas sanitários para servidores.

Em Samambaia, no extremo oposto da linha, passageiros relatam que a ausência de banheiros é constante. A assistente administrativa Elen Santos, grávida de cinco meses, conta que já precisou usar os banheiros da rodoviária diversas vezes por não haver sanitário no metrô. Ela destaca que a gravidade da situação aumenta na gravidez, além do impacto financeiro, pois o usuário que sai do sistema para usar banheiro externo deve pagar uma nova passagem para retornar.

A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) justifica que a falta de banheiros públicos nas estações ocorre por questões de segurança, afirmando que isso é uma prática comum em sistemas de metrô no Brasil e no mundo. A empresa informou ainda que não há previsão para construção de banheiros nas estações e que, em casos específicos, funcionários podem acompanhar passageiros até banheiros internos restritos.

Por outro lado, a diretora de comunicação do Sindicato dos Metroviários do Distrito Federal, Neiva Lopes, contesta essa justificativa e cita exemplos do metrô de São Paulo e do Rio de Janeiro, que possuem banheiros públicos, alguns construídos posteriormente para atender necessidades dos usuários.

Neiva Lopes também ressalta que no DF os intervalos entre trens podem ser longos, chegando a 15 ou 20 minutos, o que faz com que as pessoas permaneçam bastante tempo nas estações. Ela destaca ainda que a redução da frota em circulação torna os deslocamentos mais demorados, dificultando o acesso e o conforto dos passageiros.

A falta de banheiros afeta especialmente pessoas idosas, gestantes, pessoas com problemas de saúde e usuários que fazem trajetos longos, como quem vai de Ceilândia até a Estação Central, com viagem que pode durar até uma hora. Além disso, a orientação para que funcionários acompanhem passageiros até banheiros internos não é viável devido à escassez de servidores e questões de segurança, já que essas áreas não são monitoradas por câmeras.

Os banheiros públicos existentes nas estações 102, 112 e 114 Sul funcionam graças à presença de outros órgãos do Governo do Distrito Federal, que fazem a vigilância e manutenção desses locais, e não diretamente pelo Metrô-DF. Para a diretora do Sindmetro, a solução passa por investimentos em infraestrutura e planejamento, incluindo a previsão de banheiros públicos em novos projetos de estações, uma necessidade básica para garantir acessibilidade a todos os usuários.

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