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sábado, 14/02/2026

Falta de água em São Paulo afeta o dia a dia de toda a cidade

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Em Brasília

CLAYTON CASTELANI
FOLHAPRESS

Na Vila Sônia, zona oeste de São Paulo, Eriandida Teodozio, 49 anos, enfrenta a escassez de água enchendo várias garrafas para conseguir tomar banho após o trabalho. Desde agosto do ano passado, todos os moradores da cidade enfrentam esse problema, principalmente durante a noite, quando a pressão da água é reduzida das 19h às 5h.

A Sabesp, empresa responsável pelo abastecimento, segue um plano de contingência definido pela agência reguladora Arsesp para lidar com a seca que afetou os níveis dos reservatórios ao longo do ano passado. Embora não seja um rodízio oficial, a baixa pressão causa falta de água principalmente em regiões mais altas, afetando muitos bairros da capital.

Alceu Buoro, 65 anos, que abriu uma lavanderia próxima à Avenida Paulista, relata que a situação piorou bastante, afetando o funcionamento do comércio. Um cinema na Consolação também precisou fechar os banheiros em uma pré-estreia, e Sílvia Oliveira, 66 anos, teve que usar galões de água para continuar atendendo seus clientes em uma cafeteria na Rua Augusta.

Em Santa Cecília, o comerciante Antônio Severino, 53 anos, passou a usar copos descartáveis para os clientes devido ao corte no fornecimento após as 21h. Moradores de diversas regiões da cidade, como Grajaú, Paraisópolis, Itaquera e Brasilândia, enfrentam cortes diários entre 19h e 22h30, fazendo com que as famílias adaptem seus horários para as necessidades básicas, como o banho e o preparo das refeições.

Cláudio Freitas, líder comunitário do Butantã, destaca que as interrupções são frequentes em diversos bairros e que a crise hídrica está cada vez mais presente no cotidiano dos moradores. A empresa JP Águas, com seus caminhões-pipa, atende diversas áreas que sofrem com a escassez, especialmente restaurantes que não possuem grandes reservatórios.

Medida para preservar água e investimentos

A Sabesp explica que a redução da pressão durante a noite é uma ação preventiva para economizar água e preservar os mananciais durante o período de seca, conforme orientação da Arsesp. Essa medida já economizou cerca de 83 bilhões de litros de água e afeta menos quem possui caixa-d’água para 24 horas de uso.

Para as famílias de baixa renda, a companhia oferece o programa Reserva Certa, que instala reservatórios gratuitamente, especialmente em áreas altas, para minimizar os efeitos da redução na pressão. Além disso, a Sabesp investirá mais de cinco bilhões de reais em obras estratégicas até 2027, visando reforçar a segurança hídrica para mais de 22 milhões de pessoas.

Projetos como a transferência do rio Itapanhaú, inaugurada no ano passado, são parte dos esforços para aumentar a resistência do sistema hídrico da região. A Sabesp reafirma que a medida de redução de pressão segue normas regulatórias para enfrentar a seca e eventos climáticos extremos.

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