Denunciada por integrar um esquema de comunicação ilícita na Papuda, Tatiane da Silva Alves Ferreira, 37 anos, se passava por advogada e vivia ostentando luxo nas redes sociais. A Polícia Federal (PF) a indiciou por envolvimento em organização criminosa.
Bacharel em Direito, Tatiane tentou validar sua nota na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por meio de recurso, que foi negado pela Justiça. Mesmo assim, ela exercia atividades de advogada, enganando clientes.
Investigações revelaram que Tatiane facilitava a comunicação entre integrantes da facção Bonde do Maluco (BDM) e Jackson Antônio de Jesus Costa, um dos chefes do grupo, preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília (DF). Ele está ligado à morte do policial federal Lucas Caribé em 2023.
A PF anexou mensagens e chamadas de Tatiane com Erica Priscilla da Cruz Vitorino, advogada apontada como responsável pelas operações do tráfico e companheira de Marlos Araújo Souza, conhecido como “Bolão”, líder da organização.
No WhatsApp, Tatiane usava o nome “Tatiane Adv Silva” para fingir ser advogada com seus clientes. Em suas redes sociais, ela se dizia pós-graduanda em Direito Penal e mostrava interesse pela justiça, além de exibir roupas e acessórios caros.
Tatiane chegou a ficar foragida, mas a ordem de prisão foi cancelada. Foi apurado que ela é ex-esposa de um líder da facção Comboio do Cão (CDC).
A OAB foi consultada sobre o caso, mas não se pronunciou até o momento. A reportagem não conseguiu contato com Tatiane para comentar.
Advogada ligada ao tráfico gerenciava comunicação
Erica Priscilla da Cruz Vitorino, namorada de Marlos Araújo Souza e apontada como gerente do tráfico, também foi indiciada pela PF por facilitar a comunicação do grupo.
Conhecida como Priscilla, ela já tinha antecedentes policiais por tráfico de drogas e comércio ilegal de armas. Em outubro de 2024, foi presa em Serrinha (BA), mas atualmente responde em liberdade.
Por mensagens no WhatsApp, Erica coordenava a venda ilegal de drogas e armas, usando o nome “Deus de Israel” para mascarar sua identidade.
A investigação inclui outras sete pessoas, entre advogados e um estagiário, que tiveram suspensão do direito de atuar profissionalmente. O processo corre em segredo de justiça no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.
Este caso expõe o funcionamento de uma complexa rede criminosa dentro do sistema penitenciário, com profissionais do direito envolvidos na facilitação de comunicação e operações ilegais.
