Com um jeito reservado, gentil e tranquilo, ministro Edson Fachin assume em setembro o comando do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é conhecido por ser uma figura mais técnica e menos exposta publicamente do que o atual presidente, Luís Roberto Barroso, que esteve à frente do tribunal nos últimos dois anos.
Durante sua gestão, Barroso implementou uma comunicação direta e simplificada no Judiciário para alcançar uma audiência maior. Já Fachin deve seguir um estilo semelhante ao da ex-presidente do STF, Rosa Weber, que era reservada e evitava polêmicas políticas.
Fachin mostrou essa característica quando presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por seis meses em 2022, período em que focou na transparência das eleições e no combate à desinformação e ataques contra a Justiça Eleitoral. Ele prometeu enfrentar o populismo autoritário e as falsas informações digitais.
O ministro tem um lado social forte, evidente em decisões como a ADPF das Favelas, que buscou diminuir a violência policial nas comunidades do Rio de Janeiro. Como presidente do STF, será responsável por definir a pauta dos julgamentos no plenário e também comandará o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Apesar de ser econômico nas palavras, Fachin é firme. Recentemente, defendeu publicamente o STF e o ministro Alexandre de Moraes contra sanções dos Estados Unidos, chamando essa ação de ‘interferência indevida’ e uma ‘ameaça’. Ele alertou que o Brasil não deve se intimidar com pressões externas.
Trajetória e formação
Edson Fachin nasceu em 8 de fevereiro de 1958, em Rondinha, no Rio Grande do Sul. É professor titular de direito civil na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde também se formou em direito. Possui mestrado e doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e fez pós-doutorado no Canadá.
Indicado ao STF em 2015 pela presidente Dilma Rousseff, Fachin ocupou a vice-presidência da Corte nos últimos dois anos ao lado do presidente Barroso. Agora, inicia um mandato de dois anos como presidente eleito do Supremo, com posse marcada para 29 de setembro.
Na eleição virtual que o elegeu, Fachin agradeceu o trabalho do atual presidente e assegurou que dará continuidade às iniciativas da Corte. O ministro Alexandre de Moraes foi eleito vice-presidente, e destacou a honra de atuar ao lado de Fachin, com quem trabalhou no TSE.