17.5 C
Brasília
domingo, 31/08/2025

Exportações do Brasil para os EUA diminuíram pela metade desde 2001

Brasília
céu limpo
17.5 ° C
17.5 °
13.4 °
63 %
1.5kmh
0 %
dom
29 °
seg
29 °
ter
28 °
qua
28 °
qui
26 °

Em Brasília

Ao longo dos anos, os Estados Unidos têm perdido importância no comércio brasileiro. Entre 2001 e 2024, a participação dos EUA nas exportações do Brasil caiu de 24,4% para 12,2%, caindo praticamente pela metade.

Esse dado faz parte do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), um estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em 14 de abril de 2025.

Enquanto a fatia dos EUA nas exportações brasileiras caiu 51%, a da China, atualmente o principal parceiro comercial do Brasil, cresceu mais de oito vezes, passando de 3,3% para 28% no mesmo período.

A União Europeia caiu 44% e a América do Sul diminuiu 31%, também perdendo espaço para a China nos últimos 23 anos, embora continuem à frente dos EUA.

Participação nas exportações brasileiras:

  • China: 28%
  • União Europeia: 14,3%
  • América do Sul: 12,2%
  • Estados Unidos: 12%

O estudo da FGV é baseado em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O Icomex analisa a balança comercial, ou seja, a diferença entre exportações e importações. Nesta edição, dedica atenção ao aumento de tarifas prometido pelo presidente americano Donald Trump, que anunciou uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA a partir de 1º de agosto.

Além disso, a presença dos EUA nas importações brasileiras também diminuiu, passando de 22,7% em 2001 para 15,5% em 2024, uma queda de 32%.

Por outro lado, a participação da China nas importações do Brasil aumentou mais de dez vezes, de 2,3% para 24,2%. A União Europeia caiu 31% e a América do Sul diminuiu 45%.

Participação nas importações brasileiras:

  • China: 28%
  • União Europeia: 18%
  • Estados Unidos: 15,5%
  • América do Sul: 10,2%

Exportações variadas

O estudo indica que as vendas brasileiras aos EUA são diversificadas. Diferente da China, para quem três produtos (petróleo, soja e minério de ferro) representam 96% das exportações, os EUA compram um mix maior de produtos do Brasil.

Dez produtos respondem por 57% das exportações brasileiras para os EUA.

Principais produtos exportados para os EUA:

  • Óleos brutos de petróleo: 14%
  • Produtos semi-acabados de ferro ou aço: 8,8%
  • Aeronaves e partes: 6,7%
  • Café torrado: 4,7%
  • Ferro-gusa e ferro-ligas: 4,4%
  • Óleos combustíveis: 4,3%
  • Celulose: 4,1%
  • Outros produtos da indústria de transformação: 3,8%
  • Equipamentos de engenharia civil: 3,6%
  • Sucos de frutas e vegetais: 3%

O Ibre/FGV destaca que produtos siderúrgicos, aeronaves, sucos e escavadeiras são os mais impactados pela taxação americana, pois dependem bastante do mercado dos EUA:

  • Ferro fundido bruto e ferro spiegel: 86% das exportações vão para os EUA;
  • Produtos semiacabados de ferro ou aço: 72,5%;
  • Veículos aéreos (helicópteros e aviões): 63%;
  • Pás mecânicas e escavadeiras: 53%;
  • Sumos de frutas: 34%

Busca por novos mercados

A pesquisadora associada do Ibre/FGV, Lia Valls, consultora do Icomex, avalia que alguns produtos brasileiros, como carnes e sucos, podem conseguir novos mercados.

“Essa parte das commodities pode conseguir”, acredita.

Entretanto, é difícil encontrar rapidamente outros países para produtos que ficarão mais caros nos EUA devido à taxação. Produtos da indústria de manufatura, muitos produzidos por multinacionais americanas, são especialmente difíceis de redirecionar a outros mercados, principalmente diante da forte concorrência da China, explica.

A situação com Trump

O boletim da FGV lembra que o presidente americano Donald Trump já recuou algumas vezes quanto ao aumento das tarifas.

No dia 2 de abril de 2025, o chamado Liberation Day, Trump ameaçou países parceiros com tarifas elevadas. Na época, a tarifa para o Brasil seria de 10%. Houve uma guerra tarifária com a China, com tarifas chegando a 145%, mas depois reduzidas a 30% após acordos.

Recentemente, o Brasil foi surpreendido com uma tarifa de 50%.

A FGV destaca que, ao contrário da ameaça de abril, motivada por razões comerciais, a atual punição envolve questões políticas, incluindo processos no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e decisões recentes contra grandes empresas de tecnologia.

“Foi a única carta que explicitou motivações políticas, o que limita a margem de negociação do governo brasileiro, pois são questões exclusivas do Estado brasileiro”, aponta o estudo.

Apesar da carta de Trump apontar déficit comercial dos EUA com o Brasil, a FGV esclarece que o Brasil não tem superávit com os EUA desde 2009.

“No primeiro semestre de 2025, o saldo comercial Brasil-EUA foi negativo em 1,7 bilhão de dólares”, ou seja, o Brasil comprou mais dos EUA do que vendeu para lá.

O estudo avalia que há possibilidade do governo americano voltar atrás na taxação, seja pelo histórico de recuos de Trump, seja pela pressão de empresas americanas prejudicadas.

“No momento, é esperar que as negociações sejam possíveis e que Trump Always Chickens Out (Taco) — que, em tradução livre, significa que Trump desiste ou volta atrás”, escreve o Ibre.

Além disso, parte das exportações brasileiras para os EUA são feitas por empresas americanas multinacionais, que podem pressionar o governo Trump, assim como empresas americanas que usam insumos brasileiros em sua produção.

Reações

O governo brasileiro busca caminhos para reverter a taxação americana. Além de negociações, o Brasil sinaliza com a Lei da Reciprocidade Econômica, que aumentaria o custo das importações dos Estados Unidos.

Fora do governo, o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de carta assinada pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, afirmou que não há perseguição política no Brasil e que Trump tem uma “compreensão imprecisa dos fatos”.

*Com informações da Agência Brasil

Veja Também