Em agosto, as vendas do Brasil para os Estados Unidos subiram 12,1% em valor comparado ao mesmo mês de 2025, conforme dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA da Amcham Brasil, baseados no Comexstat. Apesar disso, a quantidade exportada caiu 17,3%, atingindo o menor patamar desde agosto de 2021.
Amcham Brasil esclarece que o aumento do valor foi impulsionado pela elevação dos preços médios. Produtos como carne bovina, semimanufaturados de ferro e aço, aeronaves e café também tiveram crescimento em quantidade.
As tarifas extras impostas pelos EUA em agosto do ano passado, que variam de 40% a 50%, afetaram o desempenho das exportações. Produtos com sobretaxas de 25% a 37,5% apresentaram queda de 10,5% em volume exportado, segundo a Amcham.
No acumulado de janeiro a agosto, as vendas brasileiras para os EUA somaram US$ 24,1 bilhões, uma redução de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, ressalta que o comércio bilateral está em declínio em 2026, com diminuição nas exportações e importações. A troca comercial entre Brasil e Estados Unidos caiu cerca de US$ 5,2 bilhões neste ano, provocando perdas para ambas as economias. Ele destaca a necessidade de buscar soluções para eliminar barreiras e fortalecer o comércio entre os países.
Principais setores afetados
O Monitor da Amcham mostra que os setores industriais brasileiros tiveram retração nas vendas para os EUA, ao contrário do crescimento observado para outros mercados.
Entre janeiro e agosto, a indústria de transformação viu suas exportações para os EUA caírem 4,9%, ainda que para o resto do mundo tenham aumentado 6,6%. Na indústria extrativa, houve recuo de 28,9% nas vendas para os EUA, enquanto para outros mercados o crescimento foi de 19,6%. Já na agropecuária, as exportações ao mercado norte-americano diminuíram 26,7%, mas aumentaram 9,5% para demais destinos.
Dos dez produtos principais exportados para os EUA no ano, seis registraram queda, destacando-se petróleo bruto (-31,5%), semimanufaturados de ferro e aço (-4,3%), ferro-gusa (-8,1%) e celulose (-1,9%).
Dados por Estadão Conteúdo.
