A equipe do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), ligada à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), finalizou sua segunda expedição na Estação Antártica Comandante Ferraz, na Ilha do Rei George. O principal objetivo foi examinar como as mudanças no clima afetam o ciclo da água no continente, investigando as conexões entre a água do degelo, lagos, rios, ar, solo e oceano.
Os pesquisadores brasileiros também identificaram a origem e o destino de poluentes que são transportados nesses processos para entender os impactos globais. Uma novidade dessa pesquisa foi a medição de microplásticos e de substâncias químicas chamadas PFAS (substâncias per e polifluoroalquiladas). Esses poluentes são carregados pelas correntes do oceano e do ar, indicando uma contaminação que influencia o clima do planeta.
A região da Antártica é estratégica para esses estudos porque funciona como um indicador precoce das mudanças ambientais. Por ser isolada e longe das fontes de poluição, o fato de haver contaminação ali mostra que o problema é ainda maior em outras partes do mundo.
Microplásticos são pedaços muito pequenos de plástico sintético, menores que 5 milímetros, que vêm de produtos como esfoliantes ou da degradação de plásticos maiores. Eles poluem os ecossistemas, são consumidos por animais e entram na cadeia alimentar, podendo afetar a saúde humana ao acumular-se no organismo por meio da comida, da água e do ar.
As substâncias PFAS são químicas sintéticas usadas em produtos como panelas antiaderentes, embalagens, cosméticos, roupas impermeáveis e espumas de combate a incêndios. Elas contaminam a água, o solo e os alimentos e estão associadas a problemas graves de saúde, como câncer, dificuldades reprodutivas e desequilíbrios hormonais.
Esses poluentes são cada vez mais estudados na ciência e no debate ambiental por sua ligação com as mudanças do clima. Presentes no oceano, no solo e no ar, eles influenciam processos climáticos importantes. Os microplásticos, em especial, refletem as atividades humanas relacionadas ao consumo e descarte, aumentando a poluição e as mudanças no clima.
A expedição aconteceu de novembro de 2025 a janeiro de 2026, com a participação do pesquisador Ricardo Passos, do Serviço de Análise e Meio Ambiente, e da geóloga Ana Clara Ferreira, estudante do Programa de Pós-Graduação do CDTN/CNEN.
Esse trabalho faz parte do projeto Interfaces: Transporte e Processos Biogeoquímicos de Substâncias Naturais e Antropogênicas na Interface Terra-Mar Antártica em um Contexto de Mudanças Climáticas. Além do CDTN, participam o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto Oceanográfico da USP, sob a coordenação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Nesta segunda expedição, os métodos e estratégias foram ajustados em comparação com a anterior devido ao clima extremo. As mudanças incluíram o monitoramento do gás radônio e maior frequência nas coletas de dados. Os pesquisadores utilizam resultados anteriores para aprofundar o estudo.
Ricardo Passos destaca: “Esperamos ampliar as coletas e testar melhorias que nos ajudem a entender melhor os processos ambientais, especialmente o transporte de partículas e poluentes, a interação entre o ar, o solo e a água, e os mecanismos que influenciam a movimentação dos contaminantes dentro das mudanças climáticas”.
Com informações do Governo Federal

