O Exército Brasileiro realizará a aquisição de um sistema de defesa antiaérea de média altitude e alcance, desenvolvido na Itália, por meio de um acordo de cooperação entre os dois governos.
Essa decisão foi oficializada em uma portaria assinada pelo general Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado Maior do Exército, em 22 de dezembro, publicada em boletim da Força em 9 de janeiro.
O documento define as diretrizes para a compra e o desenvolvimento conjunto do equipamento, embora ainda não contenha datas específicas para o contrato.
Inicialmente, o município de Jundiaí, interior de São Paulo, será o ponto central da defesa antiaérea do Exército. O 12º Grupo de Artilharia de Campanha de Jundiaí, agora chamado 12º Grupo de Artilharia Antiaérea, será responsável por essa função.
Até 2039, dentro do projeto de modernização Força 40, o Brasil implementará um sistema inédito de defesa antiaérea de média altitude. Esse sistema utilizará mísseis capazes de atingir até 15 km de altura e com alcance de até 40 km, podendo chegar a 60 km.
Atualmente, o país dispõe apenas de defesa antiaérea de baixa altitude, com alcance máximo de 3 km.
Os custos da aquisição podem chegar a quase R$ 4 bilhões, segundo fontes próximas ao assunto. O sistema a ser adquirido é do grupo multinacional MBDA, cuja origem inclui a Itália.
O sistema italiano Emads (Soluções Modulares de Defesa Aérea Avançada) usa mísseis CAMM-ER com alcance estendido, semelhantes aos que a Marinha utiliza nas fragatas da classe Tamandaré em construção em Itajaí, Santa Catarina.
A compra do sistema traz benefícios como conjuntos avançados de radares e apoio por meio de acordos bilaterais prévios entre Brasil e Itália que incluem submarinos, aviões da Força Aérea e blindados do Exército.
Um acordo internacional entre os governos poderá facilitar financiamento, prazos e manutenção, assegurando suporte técnico duradouro.
O sistema incluirá três baterias antiaéreas: uma para comando e duas para mísseis, além de lançadores com oito células. Cada bateria terá 60 mísseis, sendo 48 operacionais e 12 para treinamento.
Inicialmente, 20 militares brasileiros receberão treinamento no exterior, com possibilidade futura de capacitação no Brasil.
Antes da decisão, o Exército considerou outros sistemas estrangeiros, como o alemão IRIS-T SLM/SLS e o francês Aster (SAMP/T), mas optou pelo modelo italiano.
O investimento em defesa antiaérea média está previsto desde 2012, sendo considerado fundamental por uma portaria publicada em julho.
A assinatura da portaria ocorreu em contexto de avanços militares na região, destacando a importância reforçada de equipar o país para defesa aérea, conforme explicou o general Marcos José Martins Coelho, ex-comandante da Defesa Antiaérea do Exército.
A implantação desse sistema visa preparar o Brasil para os desafios estratégicos mundiais, como conflitos intensos envolvendo tecnologias aéreas diversas e altamente letais.
