LAIZ MENEZES
FOLHAPRESS
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou uma campanha nesta quinta-feira (27) para informar que o exercício físico não elimina os danos causados pelo cigarro e outros produtos de tabaco e nicotina para quem continua fumando.
Em homenagem ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, no sábado (29), a campanha intitulada “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar” será divulgada nas redes sociais do Inca e do Ministério da Saúde.
A ação tem como objetivo desmistificar a ideia de que praticar exercícios compensa os efeitos nocivos do tabaco e da nicotina, além de incentivar a atividade física como apoio para quem deseja parar de fumar.
Diariamente, no Brasil, cerca de 477 pessoas morrem prematuramente por problemas relacionados ao tabagismo, segundo dados do Inca.
O Instituto também alerta para o crescimento de produtos como cigarros eletrônicos e sachês de nicotina, que, embora promovidos como opções menos prejudiciais, também causam dependência e danos à saúde. A venda desses produtos não é permitida no país.
“É incompatível ser saudável e usar esses produtos em suas diversas formas de nicotina. Embora falemos de tabaco, o vício em nicotina cresce com essas diferentes formas que a indústria usa para perpetuar essa dependência”, afirmou Roberto Gil, diretor-geral do Inca, durante o lançamento virtual da campanha.
Vera Lúcia Gomes Borges, da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do Inca, destacou que mesmo fumantes que se exercitam regularmente não eliminam os riscos do consumo de tabaco e nicotina.
“Algumas pessoas acreditam que, mesmo fumando, praticar exercícios reduz o risco de doenças. Porém, isso não é verdade. Qualquer tipo de produto de tabaco prejudica a saúde e anula os benefícios do exercício regular”, explicou.
O tabagismo também afeta negativamente o desempenho nos exercícios. A nicotina reduz a circulação sanguínea para os músculos e órgãos, diminuindo o transporte de oxigênio no sangue. Além disso, o fumo causa inflamação nas vias respiratórias, tornando os exercícios mais cansativos.
Esses efeitos resultam em menor resistência, fadiga precoce, recuperação lenta e maior risco de problemas cardíacos durante atividades intensas.
Contudo, a campanha destaca que o exercício pode ser uma ferramenta importante para quem quer parar de fumar, pois ajuda a diminuir a vontade de fumar, reduz sintomas de abstinência e melhora a autoestima durante o processo.
Nas primeiras semanas após parar, sintomas como ansiedade, irritação, insônia e aumento do apetite são comuns. O exercício promove a liberação de substâncias que geram prazer e bem-estar, auxiliando na superação desses sintomas.
Atividades físicas aeróbicas como caminhada, corrida, dança ou natação, mesmo que breves, podem ajudar a controlar a vontade de fumar temporariamente.
A campanha também alerta os jovens sobre o uso de dispositivos eletrônicos para fumar e outros produtos de nicotina, os quais a indústria frequentemente associa a uma imagem positiva ligada ao esporte e boa forma.
Roberto Gil reforça que o aumento das novas formas de consumo de nicotina ameaça os progressos no combate ao tabagismo e destaca a importância de informar os jovens sobre os riscos desses produtos.
Tratamento para parar de fumar pelo SUS
O SUS oferece tratamento gratuito para quem quer parar de fumar. O primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para agendar uma consulta. A equipe de saúde avalia o caso e pode recomendar tratamento individual ou em grupo.
Quando indicado, o SUS também fornece medicamentos para controlar a abstinência, como adesivos de nicotina e bupropiona. Este atendimento é parte do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, coordenado pelo Ministério da Saúde e pelo Inca.


