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quinta-feira, 12/02/2026

Excesso de cloro matou aluna em piscina de academia em São Paulo

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O excesso do uso de cloro foi o motivo da morte de uma aluna que usou a piscina de uma academia em São Paulo no último fim de semana, segundo a Polícia Civil.

Problemas no cuidado da piscina eram comuns. O funcionário responsável pela limpeza, Severino José da Silva, afirmou que a negligência no tratamento da piscina acontecia frequentemente na academia, conforme explicou o delegado Alexandre Bento.

O delegado Alexandre Bento disse que os proprietários decidiram não cuidar adequadamente da piscina para economizar, o que levou à tragédia. Por isso, os sócios foram indiciados. Os responsáveis apareceram para prestar depoimento sem agendar, e tentaram colocar a culpa em Severino.

Os sócios Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof foram indiciados por homicídio com dolo eventual, que significa que não queriam a morte diretamente, mas assumiram o risco ao agir dessa forma.

A defesa dos empresários enviou uma petição à Justiça para impedir a prisão temporária deles. Nenhum dos sócios foi preso até o momento, embora a polícia tenha pedido essa prisão ao judiciário.

Os sócios ficaram surpresos com o pedido de prisão, segundo seus advogados Rafael Serra Oliveira e Julia de Moraes, que afirmam que a polícia usou informações erradas para justificar a solicitação.

Os donos da academia prestaram depoimento no 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo. Eles foram intimados e deram suas versões sobre o caso.

O delegado informou que novidades sobre a investigação serão divulgadas em uma coletiva de imprensa marcada para o meio-dia de amanhã.

Severino José da Silva também disse que não tem qualificação para manusear produtos químicos e que o dono da academia sabia disso. Ele assumiu a responsabilidade pela limpeza da piscina após saída do antigo funcionário, que instruía o procedimento de medir o cloro e enviar fotos para o proprietário indicar a quantidade de produtos a usar.

Há cerca de um ano, a piscina ficou muito suja, com espuma. Na época, um técnico foi contratado para arrumar a situação, mas não foi mantido pela academia.

No sábado, Severino preparou várias medidas de cloro para limpar a piscina, e enviou fotos para o dono que autorizou a aplicação, mas ele não chegou a usar o produto, apenas preparou a solução.

Um balde com água e cloro foi deixado perto da borda da piscina, enquanto sete alunos ainda nadavam. Câmeras de segurança mostraram esse momento.

A direção da academia declarou que está colaborando com as autoridades e que os sócios sempre estiveram à disposição para ajudar nas investigações.

Funcionário não tinha qualificação para o trabalho

Severino afirmou que não possui formação técnica para o manejo dos produtos químicos usados, e que agia conforme ordens dos donos da academia.

O procedimento era medir os níveis de cloro, fotografar e enviar para o dono da academia, que indicava como proceder.

O funcionário disse que desconhecia orientações para proteção pessoal, nunca tendo recebidos equipamentos de segurança adequados para lidar com os produtos.

Possível reação química causou intoxicação

A polícia acredita que uma reação química liberou gases tóxicos que provocaram a intoxicação e a morte da aluna. O delegado Alexandre Bento explicou que o cloro foi aplicado em um momento errado, o que causou a liberação dos gases e a asfixia das vítimas.

Severino percebeu o problema e retirou o balde da piscina após ver as pessoas sendo socorridas.

Ele forneceu a senha do celular para a polícia acessar mensagens que ajudaram na investigação.

Posição da academia

A Academia C4 Gym lamentou profundamente o ocorrido e informou que prestou atendimento imediato a todos que foram afetados e tem oferecido suporte às pessoas envolvidas.

Ao notar o cheiro forte, a academia evacuou o local e acionou o SAMU e Corpo de Bombeiros. Devido à demora do SAMU, foi solicitado auxílio à Guarda Civil Metropolitana, que auxiliou no socorro.

A academia afirmou que possui Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros e alvará da Vigilância Sanitária válido. Também informou que seu advogado quis acompanhar as vistorias feitas pelas autoridades, mas o pedido foi negado.

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