FOLHAPRESS
O Ministério Público do Rio Grande do Sul apresentou denúncia contra o advogado e ex-professor da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), Conrado Paulino da Rosa, por crimes sexuais cometidos contra dez mulheres.
Ele é acusado de estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado.
Conrado nega as acusações. A defesa, representada pela advogada Fernanda Osorio, declarou que ainda não teve acesso ao conteúdo da denúncia. Em nota, a advogada afirmou que apresentou à Justiça indícios de possível influência indevida por parte de uma das interessadas no processo e dos responsáveis pela investigação, o que levantaria dúvidas sobre a imparcialidade do caso.
Os casos teriam ocorrido entre 2013 e 2025. A Polícia Civil ouviu 18 mulheres que afirmam ter sido vítimas de Conrado e 16 testemunhas antes de encaminhar a denúncia ao Ministério Público. No total, são doze crimes citados na denúncia.
Nos relatos, as vítimas disseram que Conrado criava um ambiente de confiança e proximidade para facilitar os abusos. As denunciantes descreveram episódios de violência física durante as relações, como tapas no rosto, lesões e hematomas causados pela força excessiva, além de violência psicológica com comentários depreciativos sobre a vida profissional e aparência.
Após o término dos relacionamentos, algumas vítimas relataram que Conrado espalhou boatos e distorceu fatos com a intenção de prejudicá-las profissionalmente.
Ele foi investigado também por suposto uso de substâncias químicas para facilitar os abusos, mas não foi indiciado por isso. Análises toxicológicas em medicamentos apreendidos em sua casa e exames capilares deram resultados negativos.
Conrado foi preso preventivamente em 26 de setembro, liberado em 21 de outubro e atualmente usa tornozeleira eletrônica.
De acordo com a delegada Fernanda Campos Hablich, responsável pelas investigações, a prisão foi solicitada devido ao medo das vítimas e testemunhas de sofrer retaliações.
Além da tornozeleira, ele cumpre medidas cautelares, como a proibição de contato com as vítimas e restrição de circulação à noite. Conrado também foi desligado da equipe de professores da FMP após as denúncias.
Em dezembro, a defesa alegou ter enfrentado limitações injustificadas no acesso a informações durante a investigação e denunciou vazamentos seletivos e falta de diligências importantes.

