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segunda-feira, 27/07/2026

ex-presidente do fed alerta que ia aumenta inflação e impede corte de juros

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JÚLIA GALVÃO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Janet Yellen, que foi secretária do Tesouro dos EUA entre 2021 e 2025 e também presidiu o Federal Reserve (Fed) de 2014 a 2018, declarou que a inteligência artificial tem contribuído para o aumento da inflação, ao invés de reduzi-la.

Ela afirmou em um evento promovido pela XP Investimentos que a IA atualmente está elevando os preços e não ajudando a baixar a inflação.

De acordo com Yellen, o grande investimento em inteligência artificial tem aumentado a procura por componentes como semicondutores e energia elétrica, o que pressiona o preço desses produtos e de aparelhos eletrônicos.

Esses fatores criam uma barreira para que o Fed reduza as taxas de juros no momento.

A economista acrescentou que, nos próximos anos, a tecnologia poderá trazer ganhos de produtividade parecidos com os que aconteceram no final dos anos 1990, na era da internet. Contudo, por enquanto, não há sinais claros de uma melhora grande na produtividade, embora a IA já tenha impacto em algumas áreas.

Sobre a inflação, Yellen comentou que recentemente havia esperança de paz no Oriente Médio, o que ajudou a baixar o preço do petróleo e a melhorar as previsões da inflação nos EUA. Entretanto, o conflito aumentou novamente, o que mudou esse cenário.

Na quinta-feira (23), o preço do petróleo subiu mais de 7%, ultrapassando US$ 100 por barril, chegando ao nível que estava há dois meses. Isso representa um choque de oferta que deve manter a inflação alta por pelo menos mais um ano.

Esse aumento de preço ocorreu em meio ao agravamento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, e à participação dos houthis, grupo aliado do Irã, na guerra no Iêmen, elevando os riscos para a produção de petróleo na região.

Embora o Fed provavelmente espere que esses choques diminuam antes de aumentar mais os juros, Yellen alertou que teme que a inflação volte a acelerar.

Ela acredita que as taxas de juros continuarão estáveis por enquanto, mas que o banco central está muito preparado para aumentar os juros caso o conflito entre EUA e Irã piore.

Yellen também falou sobre as ações do atual presidente do Fed, Kevin Warsh, que criou cinco grupos de trabalho para revisar a atuação do banco central. Um desses grupos será coordenado pelo ex-presidente do Banco Central brasileiro, Arminio Fraga.

Para a economista, é natural que um novo líder, especialmente alguém que criticava a política monetária, queira reavaliar os processos vigentes.

Ela destacou que revisões externas podem ser úteis, mas que o próprio Fed já faz análises contínuas internamente.

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