THAÍSA OLIVEIRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
Após ser afastado da diretoria do BRB devido a uma investigação relacionada ao Banco Master, Dario Oswaldo Garcia Júnior voltou a ocupar o cargo inicial que desempenhava há 33 anos, trabalhando agora em uma agência bancária desde 19 de janeiro.
Em 18 de novembro, Dario enfrentou uma reviravolta: foi alvo de busca e apreensão, teve seus bens bloqueados, o passaporte retido e foi afastado do BRB por 60 dias por decisão judicial, assim como o ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa.
Em 28 de janeiro, a reportagem o encontrou na agência do BRB localizada na quadra 502 Sul, uma unidade moderna, com atendimento por hora marcada, voltada a clientes de alta renda na W3 Sul, principal avenida de Brasília.
O advogado de Dario, Ricardo Borges, afirmou que seu cliente tem cooperado com as investigações, que estão sob sigilo, e confia que a situação será esclarecida. Segundo ele, Dario agiu de forma legal e as decisões tomadas foram colegiadas.
Desde o afastamento, Dario atua como escriturário, função inicial de sua carreira bancária, trabalho que começou em julho de 1993. Atualmente, realiza atividades administrativas, sem contato direto com o público ou função específica.
Ao ser abordado, Dario mostrou-se tímido, usando crachá do banco e camisa social branca, e disse estar abalado emocionalmente, preferindo não comentar sobre o caso.
Um colega de trabalho relatou que Dario tem sido tratado com cordialidade e evita falar sobre o assunto, afirmando que deseja manter-se reservado e afastado dos acontecimentos.
Durante o depoimento de Paulo Henrique Costa em 30 de dezembro, a delegada da Polícia Federal, Janaína Palazzo, mencionou uma anotação da ex-diretora de controle e riscos do BRB, Luana de Andrade Ribeiro, de 11 de julho de 2025. Nela, consta que o ex-presidente queria salvar o Banco Master por meio da compra de carteiras de crédito.
A investigação apontou que, caso as operações não fossem realizadas, o Banco Master enfrentaria risco de falência, informação registrada em reunião com a presença de Dario entre outros participantes.
O conselho de administração do BRB destituiu Dario da diretoria um dia após a operação policial, decisão confirmada pelo banco que ressaltou seu retorno ao cargo original após cumprimento do afastamento determinado pela Justiça.
Após ser afastado em novembro, considerado envolvido em uma das maiores fraudes bancárias da história, Dario ficou dois meses fora do banco. Ele prestou depoimento à Polícia Federal em 26 de janeiro sobre sua participação no caso.
A Polícia Federal apontou suspeitas de crimes de gestão fraudulenta e organização criminosa contra Dario, que teve papel na garantia de conformidade das informações enviadas ao Banco Central.
O BRB está sob investigação por tentativa de aquisição de 58% do Banco Master, operação barrada pelo Banco Central em setembro. A investigação sugere que o Banco Master teria falsificado e vendido carteiras de crédito consignado no valor aproximado de R$ 12,2 bilhões para o BRB, operação usada para tentar salvar o banco de Daniel Vorcaro.
