O Brasil enfrenta uma situação fiscal delicada, mesmo que ainda não seja possível prever quando isso pode levar a uma crise econômica. Rodrigo Azevedo, ex-diretor do Banco Central e sócio da Ibiúna, comentou que o país está mais vulnerável do que no ano anterior.
Segundo ele, os problemas financeiros costumam se desenvolver gradualmente até se tornarem crises repentinas, conforme explicam os economistas. O que tem ajudado o Brasil até agora são os chamados “ventos externos” favoráveis, que têm mascarado o aumento das dificuldades nas contas públicas.
Em 2024, os ventos externos eram desfavoráveis, com o dólar ultrapassando R$ 6,30, mas no final daquele ano, o cenário melhorou após a posse do presidente americano Donald Trump, o que ajudou a valorizar a moeda brasileira.
Apesar do desempenho fiscal mais fraco em 2025, a percepção geral era positiva. Já em 2026, os ventos externos continuam beneficiando o país, criando oportunidades para os investidores.
Rodrigo Azevedo espera um aumento na procura por fundos de ações, especialmente depois de um janeiro com bom desempenho. Ele destaca que as ações ligadas ao ciclo econômico ainda não valorizaram tanto quanto aquelas relacionadas a commodities, como Vale e Petrobras, indicando potencial para ganhos na bolsa de valores.
Críticas do ministro Fernando Haddad ao mercado financeiro
Rodrigo Azevedo também comentou as críticas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao mercado financeiro. O ministro mencionou que ele e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foram criticados pela comunidade financeira ao serem indicados para seus cargos.
Haddad falou em uma entrevista sobre a reação negativa à nomeação do economista Guilherme Mello para o Banco Central e o Comitê de Política Monetária (Copom).
Rodrigo Azevedo explicou que as projeções econômicas mais pessimistamente avaliadas pelo mercado resultam do trabalho técnico dos economistas, e não de uma intenção de prejudicar o governo.
Segundo ele, comentários como os feitos por Fernando Haddad parecem mais uma questão política do que uma análise séria sobre a equipe econômica. Rodrigo Azevedo reforçou que uma análise responsável nunca avaliaria a disposição do mercado financeiro com base em opiniões políticas.
