Robson Diego de Menezes Oliveira, um ex-detento de 43 anos, dedica seu tempo livre para ensinar crianças de Taguatinga, no Distrito Federal, a andar de skate. Seu objetivo é manter esses jovens longe do crime, utilizando o esporte como ferramenta de transformação social.
Sem apoio oficial ou patrocínio, ele fundou em 2019 o projeto Brasil Skate School, que hoje reúne de cinco a sete crianças por final de tarde, seis dias por semana. Apesar das dificuldades, contando com apenas três skates para todas as crianças, o grupo aprende não só manobras, mas também valores como respeito e solidariedade.
Robson trabalha como auxiliar de limpeza no Hospital Regional de Taguatinga durante o dia e, ao final, busca os skates para oferecer as aulas voluntárias. Ele explica que não é uma figura parental, mas sim um instrutor que tenta ensinar disciplina e ética por meio do skate.
Crescido em um bairro vulnerável, Robson conheceu o skate na adolescência e essa experiência foi decisiva para que ele deixasse as drogas e o crime. Apesar de ter passado por momentos difíceis, incluindo prisões e envolvimento com o tráfico, foi no sistema penitenciário que ele encontrou o incentivo para mudar de vida por meio da leitura e da fé.
Após a soltura, ele foi convidado para liderar o projeto Pro Radical Skate, que alcançou dezenas de crianças e jovens na região. Apesar do financiamento público ter sido interrompido, sua paixão o manteve firme e os voluntários cresceram de seis para 50 em apenas um ano. Mesmo com a pandemia e outras dificuldades, Robson recebeu apoio de amigos e doadores para manter o projeto ativo.
Hugo, amigo e apoiador do projeto, ressalta a necessidade de patrocínio para que as crianças sejam motivadas a seguir no esporte e na vida.
Para Robson, as quedas no skate representam as dificuldades da vida, e levantar-se é o que importa para continuar. Ele acredita que sua experiência pessoal serve como inspiração para muitos e que o skate é uma ferramenta poderosa para a transformação e superação.
Ele planeja continuar, mesmo com poucos recursos: “Eu vou começar de novo com três skates”, afirma. O projeto pode não ter estrutura formal, mas sua força está na solidariedade e na insistência diária de superar os desafios e proporcionar um futuro melhor para as crianças da periferia do Distrito Federal.
