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sexta-feira, 27/02/2026

Ex-assistente do prefeito de Manaus pagava passagens com dinheiro em espécie, afirma preso em operação contra o CV

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Josué Seixas
Recife, PE (Folhapress)

O empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, detido em ação da Polícia Civil do Amazonas contra um possível grupo político ligado ao Comando Vermelho (CV) no estado, declarou que a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, Anabela Cardoso Freitas, comprava passagens aéreas, hospedagens e alugueis de veículos pagando em dinheiro vivo.

Alcir possui uma empresa de turismo que realiza essas vendas. Os bilhetes eram usados pelo prefeito David Almeida, pelo vice-prefeito Renato Júnior, por funcionários da prefeitura e também por parentes do prefeito.

A informação do depoimento foi divulgada pela Rede Amazônica, afiliada da Globo no Amazonas, e confirmada pela Folha de S.Paulo.

A Prefeitura de Manaus informou que o prefeito David Almeida e o vice-prefeito, que também é titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), não estão sendo investigados na operação.

“Como não tiveram acesso aos documentos do caso, o prefeito David Almeida e o vice-prefeito Renato Junior não comentarão as declarações feitas por terceiros e reafirmam a confiança nas autoridades competentes e no correto andamento do processo legal”, informou a prefeitura.

O advogado de defesa de Anabela não respondeu às tentativas de contato. O advogado anterior de Alcir afirmou ter deixado a defesa do caso, e a reportagem está tentando localizar o novo representante.

A operação, realizada na semana anterior, indicou que o grupo criminoso poderia ter pago a funcionários públicos para obter informações confidenciais, como mandados de prisão e decisões judiciais em processos sigilosos.

Na ação, 14 pessoas foram presas, sendo oito no Amazonas e seis em outros estados. Nove pessoas continuam foragidas, inclusive o líder apontado pela polícia.

Anabela já trabalhou no executivo municipal e é também investigadora da Polícia Civil concursada. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicou que ela teria recebido recursos de empresas ligadas a um esquema suspeito que serviria de fachada para o tráfico de drogas.

Segundo o relatório policial, cerca de R$ 1,5 milhão teria passado pela conta bancária dela, valor incompatível com sua renda. Desse total, aproximadamente R$ 1,3 milhão foi transferido para um homem investigado por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

No depoimento de Alcir, consta que Anabela comprava passagens para pessoas como o prefeito David Abisai Almeida e outros da gestão municipal, incluindo uma viagem famosa do prefeito ao Caribe. O pagamento dessas passagens era feito em dinheiro vivo, totalizando cerca de R$ 34.000,00.

Alcir disse não saber a origem do dinheiro usado para pagar as passagens de pessoas ligadas à prefeitura e afirmou que as notas usadas no pagamento eram de R$ 50 e R$ 100, e ocasionalmente, de R$ 20.

Ele negou ter recebido o valor de R$ 1,3 milhão mencionado pelo Coaf e afirmou não saber a origem da informação que vinculava esse montante a Anabela.

Alcir é investigado por suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de drogas.

O depoimento dele foi anexado a um pedido de habeas corpus preventivo feito pelo vice-prefeito Renato Júnior e familiares do prefeito David Almeida, que desistiram do pedido antes da análise judicial.

As investigações tiveram início após a apreensão de mais de 500 tabletes de maconha skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações usadas no transporte da droga, um veículo utilitário e celulares. Um dos suspeitos foi preso em flagrante durante a apreensão.

Em um celular apreendido, a polícia encontrou contatos marcados com bandeiras vermelhas na agenda, interpretadas como sinal de ligação com o Comando Vermelho.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, além de conseguir informações sigilosas, funcionários públicos podem ter sido pagos para influenciar órgãos públicos em favor dos traficantes.

“O objetivo do grupo era ter acesso e influência para resolver problemas internos da organização”, explicou o delegado. “Isso ficou claro após análise dos dados de um telefone apreendido, onde o líder dizia ter pessoas em todos os órgãos e afirmava que não temia a prisão porque pagava a todos.”

O delegado também informou que o grupo usava empresas registradas no setor de logística para movimentar recursos e dar forma legal ao transporte de drogas.

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