RICARDO DELLA COLETTA
FOLHAPRESS
A próxima semana será marcada por um seminário em São Paulo organizado pelo governo dos Estados Unidos, focado em minerais estratégicos e terras raras. Essa ação demonstra o interesse americano em explorar esse setor no Brasil.
O evento acontecerá no dia 18 de março e contará com a presença de autoridades dos EUA e líderes do setor privado. Do lado brasileiro, espera-se a participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), embora ainda não haja confirmação de ministros do governo Lula (PT).
O Brasil é considerado crucial pelos EUA para reduzir a influência da China nas cadeias de produção desses minerais essenciais, que são usados na fabricação de tecnologias para a transição energética e na defesa.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas, representando aproximadamente 23% das reservas globais. Além disso, acredita-se que existam grandes depósitos ainda não explorados.
Autoridades americanas previstas incluem representantes do Departamento de Estado, Departamento de Energia, EXIM Bank, DFC e do Comando Sul dos EUA, refletindo a importância estratégica e militar desses recursos.
A embaixada americana em Brasília declarou que, em parceria com o Citi, Amcham Brasil, Brazil-U.S. Business Council e Ibram, está promovendo um fórum para fortalecer a cooperação bilateral no desenvolvimento de minerais estratégicos, tema vital para inovação tecnológica e a transição energética.
A Amcham Brasil ressaltou que o seminário pretende discutir oportunidades técnicas desde a exploração até a agregação de valor desses minerais, beneficiando ambos os países. A iniciativa visa atrair investimentos, fortalecer a indústria brasileira e ampliar a competitividade nacional.
Um ponto de tensão entre os governos dos EUA e do Brasil envolve o possível comparecimento de Darren Beattie, conselheiro para relações com o Brasil no Departamento de Estado dos EUA, que estará em visita oficial e foi autorizado a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão em Brasília. No entanto, a Amcham Brasil afirma que a presença de Beattie no evento não está confirmada.
Minerais estratégicos são uma área que pode estreitar o relacionamento entre os governos de Trump e Lula. O interesse americano pelas reservas brasileiras antecede a gestão republicana, que propôs um acordo de cooperação similar a pactos recentes com Austrália e Japão.
A intensa participação chinesa no mercado preocupa os EUA. Em 2025, o Instituto Americano de Ferro e Aço alertou sobre a venda de plantas de níquel no Brasil para a estatal chinesa MMG, destacando que isso poderia dar à China grande influência sobre as reservas internacionais, aumentando riscos na cadeia de fornecimento desse mineral.
