Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, declarou nesta quarta-feira (8/4) que o acordo de paz com os Estados Unidos foi quebrado após ataques em território iraniano.
Duas ilhas iranianas no Golfo Pérsico, a Ilha de Lavan e a Ilha de Siri, foram bombardeadas durante o dia, segundo o líder. Explosões nessas localidades foram relatadas anteriormente pela imprensa estatal.
Pezeshkian não informou quem realizou os ataques. A declaração surge em meio a um aumento nas tensões entre o Irã e os Estados Unidos, com ameaças e movimentações militares na região.
Em conversa telefônica, o presidente do Irã pediu respeito ao acordo de paz e condenou as violações. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu calma, destacando que atos como esses prejudicam o processo de paz.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país aceita o cessar-fogo como base para o fim do conflito e aposta na diplomacia, apesar da prontidão militar.
“O acordo entre Irã e EUA é claro: os EUA devem escolher entre paz ou guerra por meio de Israel. O mundo observa e espera se os EUA cumprirão seus compromissos”, declarou o chanceler iraniano.
A Guarda Revolucionária Islâmica alertou que novos ataques, principalmente no Líbano, podem gerar uma resposta forte contra alvos na região.
Do lado dos EUA, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior, afirmou que o cessar-fogo é temporário e as forças permanecem preparadas para retomar as operações.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Líbano não faz parte do acordo em entrevista à PBS. Essa informação foi confirmada pelo mediador Shehbaz Sharif.
Autoridades do Paquistão contestaram a exclusão do Líbano, pois inicialmente o cessar-fogo incluiria todas as frentes do conflito. Israel intensificou ataques ao Líbano, alegando combater o grupo Hezbollah.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, mais de 112 pessoas morreram só nesta quarta, na maior ofensiva israelense desde o início da guerra. O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que as operações continuarão.
Estreito de Ormuz
O Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, passagem de um quinto do petróleo mundial, caso os ataques prossigam. Simultaneamente, um ataque com drones atingiu um oleoduto importante na Arábia Saudita, afetando a exportação de petróleo. Incidentes com mísseis e drones foram relatados em países do Golfo, aumentando o risco de expansão do conflito.
O Paquistão, mediador no processo, pediu que o cessar-fogo seja mantido por pelo menos duas semanas para permitir negociações diretas entre Washington e Teerã.

