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terça-feira, 10/02/2026

EUA querem presidente do Fed com mente aberta, não só corte de juros

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JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS

O novo chefe do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) foi escolhido não para diminuir os juros, como defende o presidente Donald Trump, mas por ter uma mente aberta, disse Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, nesta terça-feira (10).

“Queríamos alguém com mente aberta, e acredito que Kevin Walsh é essa pessoa. Por isso e por sua experiência, o presidente Trump o escolheu”, afirmou Bessent durante evento remoto do BTG Pactual.

Em janeiro, Trump indicou Warsh para presidir o Fed, substituindo Jerome Powell, cujo mandato acaba em maio. Warsh ainda precisa ser aprovado pelo Senado.

“Kevin está em Stanford, um centro de inovação dos EUA, e liderou investimentos em tecnologia. Ele entende muito bem inteligência artificial e tem uma mente aberta”, complementou Bessent.

O secretário do Tesouro americano, equivalente ao ministro da Fazenda no Brasil, quer manter o dólar forte, atraindo investimentos estrangeiros diretos e de portfólio.

Apesar do governo Trump, a moeda americana tem enfraquecido diante das outras moedas globais.

“Nos EUA queremos atrair capital, o que conseguimos com previsibilidade tributária. Aprovamos uma grande lei que permite deduzir totalmente investimentos feitos pelas empresas”, afirmou Bessent.

Segundo ele, estrangeiros e empresas estão investindo nos EUA.

“O objetivo das tarifas é reindustrializar e equilibrar a economia. Começamos com tarifas altas, mas isso mudará ao longo do tempo.”

América Latina e China

Bessent mencionou o Brasil ao falar da América Latina e destacou a melhora na relação entre os governos americano e brasileiro.

“Após um começo difícil, os presidentes Trump e Lula construíram uma boa relação.”

Ele também comentou positivamente a mudança de poder no Chile, a vitória de Javier Milei na Argentina e o governo da vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.

“Apoiamos financeiramente o presidente Milei durante a eleição. Os kirchneristas tentaram usar o mercado contra ele, mas mantivemos a estabilidade econômica na Argentina”, disse o secretário.

Antes das eleições na Argentina, os EUA fizeram um acordo de swap cambial de 20 bilhões de dólares para ajudar a estabilizar o peso e as reservas argentinas.

“A intervenção militar para tirar Nicolás Maduro da Venezuela mostra o poder do exército dos EUA. As atuais lideranças venezuelanas estão cooperando e acredito que teremos eleições livres e justas, algo antes impensável”, completou Bessent.

Relação com a China

Bessent disse que a relação entre EUA e China está boa, embora haja rivalidade.

“Estamos em um ponto confortável, vamos competir de forma justa. Não queremos nos afastar da China, mas reduzir riscos. Acredito que a relação pode ser produtiva, e essa competição nos melhora e evita estagnação.”

O governo americano está focado em crescimento econômico e setores estratégicos como minerais críticos, semicondutores, remédios e inteligência artificial.

“Tenho certeza que os EUA estão na liderança da inteligência artificial e da tecnologia.”

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