JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS
O novo chefe do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) foi escolhido não para diminuir os juros, como defende o presidente Donald Trump, mas por ter uma mente aberta, disse Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, nesta terça-feira (10).
“Queríamos alguém com mente aberta, e acredito que Kevin Walsh é essa pessoa. Por isso e por sua experiência, o presidente Trump o escolheu”, afirmou Bessent durante evento remoto do BTG Pactual.
Em janeiro, Trump indicou Warsh para presidir o Fed, substituindo Jerome Powell, cujo mandato acaba em maio. Warsh ainda precisa ser aprovado pelo Senado.
“Kevin está em Stanford, um centro de inovação dos EUA, e liderou investimentos em tecnologia. Ele entende muito bem inteligência artificial e tem uma mente aberta”, complementou Bessent.
O secretário do Tesouro americano, equivalente ao ministro da Fazenda no Brasil, quer manter o dólar forte, atraindo investimentos estrangeiros diretos e de portfólio.
Apesar do governo Trump, a moeda americana tem enfraquecido diante das outras moedas globais.
“Nos EUA queremos atrair capital, o que conseguimos com previsibilidade tributária. Aprovamos uma grande lei que permite deduzir totalmente investimentos feitos pelas empresas”, afirmou Bessent.
Segundo ele, estrangeiros e empresas estão investindo nos EUA.
“O objetivo das tarifas é reindustrializar e equilibrar a economia. Começamos com tarifas altas, mas isso mudará ao longo do tempo.”
América Latina e China
Bessent mencionou o Brasil ao falar da América Latina e destacou a melhora na relação entre os governos americano e brasileiro.
“Após um começo difícil, os presidentes Trump e Lula construíram uma boa relação.”
Ele também comentou positivamente a mudança de poder no Chile, a vitória de Javier Milei na Argentina e o governo da vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.
“Apoiamos financeiramente o presidente Milei durante a eleição. Os kirchneristas tentaram usar o mercado contra ele, mas mantivemos a estabilidade econômica na Argentina”, disse o secretário.
Antes das eleições na Argentina, os EUA fizeram um acordo de swap cambial de 20 bilhões de dólares para ajudar a estabilizar o peso e as reservas argentinas.
“A intervenção militar para tirar Nicolás Maduro da Venezuela mostra o poder do exército dos EUA. As atuais lideranças venezuelanas estão cooperando e acredito que teremos eleições livres e justas, algo antes impensável”, completou Bessent.
Relação com a China
Bessent disse que a relação entre EUA e China está boa, embora haja rivalidade.
“Estamos em um ponto confortável, vamos competir de forma justa. Não queremos nos afastar da China, mas reduzir riscos. Acredito que a relação pode ser produtiva, e essa competição nos melhora e evita estagnação.”
O governo americano está focado em crescimento econômico e setores estratégicos como minerais críticos, semicondutores, remédios e inteligência artificial.
“Tenho certeza que os EUA estão na liderança da inteligência artificial e da tecnologia.”
