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quinta-feira, 12/02/2026

EUA querem ajudar a processar minerais importantes no Brasil

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ISABELLA MENON E PEDRO LOVISI
WASHINGTON, EUA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Os Estados Unidos demonstram interesse em apoiar o processamento de minerais importantes no Brasil. A informação foi dada por Caleb Or, secretário de Estado adjunto para Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais, em entrevista recente.

Para Or, o Brasil é visto como um parceiro chave para desenvolver minérios críticos, que são matérias-primas essenciais para tecnologias ligadas à transição para energia mais limpa e à defesa.

O país possui grandes reservas dessas matérias-primas, porém enfrenta limitações financeiras e tecnológicas para aprimorar toda a cadeia de produção, incluindo o refino. Por isso, o apoio dos EUA é bem recebido por setores do governo brasileiro e empresas.

A declaração veio dias após uma reunião internacional sobre minerais críticos que reuniu representantes de 55 países.

Os EUA buscam ampliar suas reservas desses minerais para diminuir a dependência da China, que domina grande parte dessas matérias-primas no mundo.

Na reunião, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ressaltou a importância de criar um bloco comercial global para evitar rupturas ou monopólios nas cadeias de fornecimento.

Apesar da participação brasileira, ainda não há confirmação de acordos firmados na área.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil discute a exploração desses minerais com o foco em investir no processamento local, não apenas na extração pela iniciativa estrangeira.

Caleb Or citou que os EUA já financiam dois projetos no Brasil: um da mineradora Serra Verde e outro da Aclara. Destacou que o país possui reservas ricas, especialmente em terras raras.

Ele afirmou que o processamento desses minerais está ainda mais concentrado globalmente do que a mineração em si, e que os EUA querem diversificar essa indústria para distribuir melhor o mercado no mundo.

Or também comentou que, devido à grande concentração de terras raras no Brasil e ao financiamento já feito, o país é um candidato natural para incentivar o processamento local desses minerais.

O interesse dos EUA nas reservas brasileiras existe há algum tempo, mas se intensificou após tarifas impostas pelo governo Trump. Desde então, membros do governo brasileiro se reuniram com autoridades americanas, embora nenhum acordo oficial tenha sido fechado.

Fontes indicam que o Brasil só concordaria em garantir o fornecimento de minerais críticos aos EUA se houver garantias para processamento local, uma condição ainda não formalmente aceita pelos EUA. A União Europeia, por sua vez, tem apoiado mineradoras brasileiras com investimentos no país.

Enquanto não existe acordo oficial, os EUA avançam por meio de contratos diretos com mineradoras brasileiras, sem a intermediação do governo.

O DFC, banco estatal americano, concedeu financiamentos às mineradoras Serra Verde e Aclara, com contratos que permitem participação acionária do banco nas empresas.

Recentemente, a Serra Verde anunciou que vai receber US$ 565 milhões do DFC para ampliar operações em Goiás. Controlada por fundos americanos e britânicos, a empresa é a única mineradora de terras raras em funcionamento no Brasil e é estratégica globalmente por estar fora da China.

No momento, a Serra Verde não planeja avançar no processamento dessas terras raras, essenciais para ímãs usados em carros elétricos e equipamentos de defesa. Já a Aclara, que ainda não iniciou suas operações, comprometeu-se em abrir uma planta de processamento nos EUA, utilizando minerais extraídos de Goiás.

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