O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) está realizando nesta semana audiências públicas para discutir práticas comerciais atribuídas ao Brasil e uma proposta de taxa adicional de 25% sobre certos produtos brasileiros.
A primeira audiência ocorreu em Washington, iniciando na segunda-feira (6) e terminando na terça-feira (7). O USTR investiga seis áreas relacionadas ao Brasil: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, como o Pix; tarifas preferenciais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Mais de 40 organizações e empresas dos Estados Unidos e do Brasil, entre elas a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café (Cecafé), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Embraer, participam das audiências. O senador Flávio Bolsonaro também está inscrito.
A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite ao governo americano examinar práticas comerciais de outros países consideradas injustas ou danosas para os interesses dos EUA.
O governo brasileiro respondeu às acusações por meio do Itamaraty, argumentando que as práticas comerciais do Brasil não prejudicam os Estados Unidos ou suas empresas, e solicitou que o USTR não imponha medidas unilaterais durante a investigação.
O Brasil defende que o USTR não demonstrou ligação legal entre as ações brasileiras e prejuízos ao comércio estadunidense, alegando que as conclusões preliminares são baseadas em discordâncias quanto às políticas nacionais do Brasil e não justificam ações conforme a Seção 301.
A segunda audiência pública, iniciada em 8 de fevereiro, envolve 60 países, inclusive o Brasil, e investiga possíveis falhas no combate ao trabalho escravo e na exportação de produtos feitos com trabalho forçado. As discussões devem durar até quinta-feira (9).

