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quarta-feira, 07/01/2026

Estudo brasileiro mostra zika e microcefalia em crianças

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Um grande estudo feito por pesquisadores brasileiros analisou 843 crianças com microcefalia causada pelo vírus zika, nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018, em várias regiões do Brasil. O estudo foi coordenado pelo Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika e traz dados de 12 centros de pesquisa, tendo sido publicado em dezembro de 2023 no periódico PLOS Global Public Health.

A pesquisadora Maria Elizabeth Lopes Moreira, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, destacou que a microcefalia causada pelo zika é diferente das comuns, pois envolve um colapso no cérebro e os ossos da cabeça, especialmente quando a mãe foi infectada no meio ou fim da gravidez. Essa condição traz vários problemas neurológicos, auditivos e visuais, como convulsões difíceis de controlar.

Cristina Hofer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apontou que exames mostram problemas no sistema nervoso central na maioria dos casos. A microcefalia estava presente ao nascer em 71,3% das crianças, sendo 63,9% dos casos considerados graves. Outros 20,4% desenvolveram microcefalia após o nascimento. Foram também registradas complicações como nascimento prematuro (20%), baixo peso ao nascer (33,2%), e malformações como dobras extra na pele nas pálpebras (40,1%) e formato de cabeça com protuberância na parte de trás (39,2%).

Entre os problemas neurológicos, cerca de metade das crianças tem dificuldade de atenção social, 58,3% tiveram epilepsia e 63,1% mantêm reflexos primitivos. Alterações na visão afetaram 67,1%, e dificuldades auditivas foram menos comuns. Os exames também revelaram depósitos anormais no cérebro, aumento dos ventrículos cerebrais e perda de massa cerebral.

Aproximadamente 30% das crianças estudadas não sobreviveram. As que estão entre 8 e 10 anos enfrentam dificuldades na escola devido a paralisia cerebral grave ou problemas de aprendizagem. O professor Demócrito Miranda, da Universidade de Pernambuco, ressaltou que o estudo confirma o Brasil como o país com o maior número de casos de microcefalia por zika desde a epidemia de 2015-2016.

Não existe tratamento específico para zika, mas é importante prevenir com repelentes, roupas que protejam e evitar áreas com mosquitos Aedes aegypti. Para as crianças afetadas, a fisioterapia e fonoaudiologia são essenciais para estimular o desenvolvimento, aproveitando a capacidade do cérebro infantil de se adaptar. Bebês sem microcefalia, cujas mães foram infectadas, também devem receber atenção especial para evitar atrasos no desenvolvimento.

O pesquisador Ricardo Ximenes, da Universidade Federal de Pernambuco, alertou para a necessidade de cuidados multidisciplinares durante toda a vida dessas crianças, algo difícil de acessar pelo SUS, o que causa maior pressão nas famílias, muitas lideradas por mães solteiras. Maria Elizabeth defendeu que é importante desenvolver uma vacina para mulheres em idade fértil e acompanhar continuamente as crianças para entender os efeitos a longo prazo, especialmente durante a fase escolar.

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