Um estudo divulgado recentemente pelo Instituto Esfera, em Brasília, destaca a importância de criar políticas públicas específicas para aliviar os impactos da menopausa em mulheres, principalmente negras e em situação vulnerável.
A pesquisadora Clarita Costa Maia, responsável pelo estudo junto da médica Fabiane Berta de Sousa, explica que a menopausa atinge essas mulheres de forma mais intensa, tanto no aspecto biológico quanto social. “A menopausa tem um componente biológico que afeta mais as mulheres negras, somado a várias vulnerabilidades”, afirmou Clarita em entrevista.
Essas mulheres, muitas vezes as principais responsáveis pela família, enfrentam dificuldades no trabalho causadas pelos sintomas físicos e emocionais da menopausa, que geralmente não são tratados. Isso prejudica sua vida profissional e afeta o convívio familiar. Sintomas não cuidados podem levar a problemas sérios de saúde mental, como aumento do risco de Alzheimer e depressão.
O estudo também menciona um aumento de casos de menopausa precoce, relacionado ao estilo de vida atual, e ressalta a necessidade de atenção maior da rede pública para o envelhecimento da população. A saída das mulheres do mercado de trabalho aumenta a pressão sobre a previdência e gera problemas sociais, apesar de essas mulheres estarem em uma fase de grande capacidade intelectual.
Foi recomendado no documento um mapeamento nacional para entender melhor a situação da menopausa no Brasil. “A falta de uma política pública estruturada para menopausa traz consequências diretas para a saúde, economia e direitos de milhões de mulheres”, destacou o estudo.
Dados internacionais mostram que os custos relacionados à menopausa são elevados, como US$ 26,6 bilhões por ano nos Estados Unidos e US$ 150 bilhões globalmente, além de uma redução de 10% na renda das mulheres afetadas. No Brasil, existem cerca de 29 milhões de mulheres nessa fase, com 87,9% sentindo sintomas, mas apenas 22,4% buscando tratamento.
“O problema é tão grande quanto invisível. Reconhecer a menopausa como uma questão de política pública não significa tratar o envelhecimento feminino como doença, mas sim valorizá-lo como uma fase natural da vida que precisa de cuidado, informação e suporte institucional”, conclui o estudo.
Na apresentação do estudo, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, destacou a importância de focar na prevenção da saúde da mulher no envelhecimento. Ela também mencionou a atuação de um grupo de mulheres na menopausa em um fórum recente criado pelo Ministério.

