Cristina Camargo
Folhapress
Um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) invadiu na noite de segunda-feira (8) a entrada dos blocos K e L da administração central. Eles protestavam contra a má qualidade das refeições no restaurante universitário, o valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Pafpe), e dificuldades de diálogo com a reitoria.
A universidade informou que os estudantes estavam com os rostos cobertos, portavam pedaços de pau e cassetetes, lançaram rojões e agrediram seguranças, chegando a disparar fogos de artifício contra eles.
No protesto, um manifestante usou megafone e levantou a mão. Uma placa dizia ‘Educação não é mercadoria’. Muitas pessoas participaram da manifestação em ambiente urbano.
A Polícia Militar foi acionada para remover os estudantes. Conforme relatos, a retirada foi feita com violência. O grupo foi levado ao 7º Distrito Policial, na Lapa, zona oeste de São Paulo. Até o momento, a Polícia Militar não se pronunciou.
Os manifestantes divulgaram um comunicado nas redes sociais afirmando que são independentes e não ligados ao diretório acadêmico que liderou a greve iniciada em abril. Eles usavam máscaras para cobrir o rosto e gritavam palavras de ordem durante a invasão.
Em vídeo da ação policial, duas jovens contidas pelos policiais protestam contra a retirada, dizendo que lutam por melhores condições na universidade. Uma delas afirma: “Essa máscara é de quem está lutando”.
A invasão ocorreu no mesmo dia em que os estudantes recomendaram em assembleia o fim da greve de 54 dias e o retorno às aulas nos campi da USP.
A votação teve 323 votos a favor do término, 255 contra e 9 abstenções.
O manifesto dos estudantes que invadiram diz que essa ocupação é um dia de resposta esperado por todos que participam da luta na USP.
A greve, que indicava fim, foi uma das maiores mobilizações estudantis da USP nos últimos dez anos, envolvendo 43 unidades e episódios como a invasão da reitoria em maio, quando a Polícia Militar usou bombas e gás para retirar os alunos.
Para encerrar a greve, a reitoria ofereceu um aumento no auxílio do Pafpe de R$ 885 para R$ 912, valor que cobre a inflação desde 2022. Também foram anunciadas melhorias no Conjunto Residencial da USP (Crusp) e ampliação dos canais de diálogo com os estudantes.
