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sexta-feira, 23/01/2026

Estrangeiros investem muito na Bolsa por causa de conflitos no mundo

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TAMARA NASSIF
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

No início deste ano, muitos investidores estrangeiros começaram a aplicar dinheiro na Bolsa de Valores do Brasil, motivados pelas tensões causadas pelas decisões do governo de Donald Trump em vários países.

Essa movimentação reflete a saída de investimentos dos EUA, com investidores estrangeiros trazendo quase R$ 8,7 bilhões para a B3 até o dia 20 de janeiro, o que representa quase um terço do total investido em 2025, que foi de R$ 26,87 bilhões.

Entre janeiro e 22 de janeiro, o principal índice do mercado brasileiro, o Ibovespa, subiu mais de 9%, superando índices como S&P 500 e Nasdaq.

Essa mudança na preferência dos investidores começou no ano passado, devido às incertezas provocadas pelas tarifas aplicadas por Donald Trump aos produtos exportados para os EUA.

Para evitar a instabilidade dos mercados americanos e a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, investidores passaram a buscar mercados emergentes, incluindo o Brasil.

O aumento dos aportes estrangeiros foi motivado pelas ações de Donald Trump na Venezuela, Irã e Groenlândia, que abalaram as relações dos EUA com a União Europeia e a Otan.

Essas tensões aumentaram o risco para os mercados europeus, levando investidores a optar por países com menos exposição a esses conflitos.

Adriana Ricci, sócia-fundadora da SHS Investimentos, explica que os estrangeiros preferem investir em fundos de índice (ETFs) no Brasil, aproveitando momentos de alta valorização, mas buscando sair rapidamente em caso de problemas.

O Brasil atrai os estrangeiros pelo alto rendimento da taxa Selic, de 15% ao ano desde junho, e pela sua produção de commodities como petróleo e minério de ferro, que são valorizadas em tempos de conflito.

Apesar das altas recentes do Ibovespa, o índice ainda está negociado abaixo da média histórica.

Além das tensões globais, o estrangeiro também busca diversificação devido às incertezas no Japão, que é o maior detentor dos títulos da dívida dos EUA e está enfrentando desafios econômicos por causa da baixa taxa de natalidade.

Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, destaca que a instabilidade no Japão aumentou as dúvidas sobre a estabilidade dos mercados desenvolvidos, fazendo o investidor olhar para os mercados emergentes, entre eles o Brasil.

Com o Ibovespa alcançando níveis recordes, grandes bancos e casas de análise revisam suas projeções para a Bolsa em 2026.

Por exemplo, o Morgan Stanley agora acredita que o Ibovespa pode subir até 46%, atingindo 250 mil pontos, considerando cortes na taxa Selic e o início da campanha presidencial que deve começar a ganhar força no primeiro trimestre.

Pedro Moreira também comenta que tanto o presidente Lula quanto o senador Flávio Bolsonaro enfrentam alta rejeição, abrindo espaço para um terceiro candidato, Tarcísio de Freitas. Enquanto a situação política está indefinida, os investidores focam no custo de oportunidade do Brasil.

Adriana Ricci prevê que, com a aproximação das eleições, os investidores estrangeiros usarão a liquidez dos ETFs para evitar volatilidade e garantir ganhos.

Ela ressalta que investimentos de longo prazo em mercados emergentes são raros entre estrangeiros, pois esses mercados enfrentam desafios políticos e econômicos constantes, sendo ainda mais instáveis em anos eleitorais, o que gera entradas e saídas rápidas dos investidores.

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