Presos estrangeiros vinculados ao Estado Islâmico (EI) serão julgados de acordo com as leis do Iraque, após terem sido transferidos de centros de detenção na Síria para prisões iraquianas. A confirmação foi feita pelo porta-voz do Ministério da Justiça iraquiano, Ahmed Laibi, nesta terça-feira (24/2).
Segundo o governo local, aqueles condenados à pena de morte não poderão ser devolvidos aos seus países de origem. Até o momento, não há informações claras sobre o número exato de estrangeiros presos no Iraque sob a acusação de pertencerem ao EI.
Esta decisão foi tomada dias após os Estados Unidos concluírem uma operação para transferir membros do EI da Síria para o Iraque, uma medida motivada pela recente escalada de violência na Síria que afetou diretamente os esforços contra o grupo extremista.
No começo do ano, o Exército Sírio, comandado pelo presidente interino Ahmed al-Sharaa, lançou uma ofensiva contra as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma coalizão liderada pelos curdos que detinha o controle de áreas no nordeste do país.
Em poucos dias, regiões outrora administradas autonomamente pelos curdos durante cerca de uma década foram retomadas pelo governo sírio, incluindo centros de detenção que abrigavam membros e suas famílias ligados ao Estado Islâmico, após o declínio do grupo na Síria desde 2019.
Acusações surgiram das FDS, que alegaram que a administração liderada por al-Sharaa estaria libertando terroristas do EI, o que foi negado veementemente por autoridades de Damasco.
Diante da crise, o governo dos EUA interveio e anunciou a transferência dos jihadistas para prisões no Iraque. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) relatou que mais de 5 mil terroristas foram enviados para centros de detenção iraquianos.
Embora as autoridades norte-americanas tenham anunciado o fim da missão, a mídia dos EUA reporta que entre 15 e 30 mil pessoas, incluindo membros do EI, continuam foragidas na Síria após a recente onda de violência.

