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Estados Unidos tentam blindar ação que protege imigrantes no país

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A Casa Branca propôs reformular o programa elaborado na presidência de Barack Obama, que protege os imigrantes, depois que um juiz o declarou ilegal.

(crédito: Anna Moneymaker / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

O governo do presidente Joe Biden renovou nesta segunda, 27, os esforços para proteger da deportação centenas de milhares de imigrantes levados para os EUA ainda criança, chamados de “dreamers”, na mais recente manobra de um drama sobre a legalidade dessa política. A Casa Branca propôs reformular o programa elaborado na presidência de Barack Obama, que protege os imigrantes, depois que um juiz o declarou ilegal. Biden defende uma solução legislativa definitiva para o tema.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que a iniciativa, que será submetida a consultas 60 dias antes da sua adoção, busca preservar e fortalecer o programa batizado de Ação Diferida para os Chegados na Infância (Daca, na sigla em inglês), que protege da deportação cerca de 600 mil pessoas, a maioria do México.

Há dois meses, o juiz federal do Texas Andrew Hanen decidiu que Obama excedeu sua autoridade quando instaurou o Daca, em 2012, informando que só o Congresso tem poder em temas migratórios. Ele também destacou problemas de implementação do programa. A decisão, de 16 de julho, manteve os benefícios para os dreamers, mas bloqueou a inscrição de novos solicitantes.

O governo Biden, que apelou da decisão, informou que a proposta de regulamentação é um passo importante para proteger os “sonhadores” e reconhecer as contribuições que eles dão ao país, mas insistiu na necessidade de uma solução legislativa definitiva. “Só o Congresso pode dar proteção permanente”, disse o secretário do DHS, Alejandro Mayorkas, pedindo que os legisladores aprovem rapidamente uma solução.

O Daca foi um decreto emitido por Obama quando a Lei de Fomento para o Progresso, Alívio e Educação para Menores Estrangeiros (Dream Act), não foi aprovado, em 2010, no Congresso, então dominado pelos republicanos. O acrônimo em inglês desta lei deu origem ao termo “dreamers” (sonhadores, em português).

Em 2017, o então presidente republicano, Donald Trump, buscou por fim ao Daca, alegando que ele era inconstitucional, o que provocou uma longa batalha judicial que terminou na Suprema Corte. O Daca sobreviveu às tentativas de desmonte gradual e foi reinstaurado em dezembro passado.

A norma anunciada ontem pelo governo Biden, que era vice-presidente de Obama, introduz mudanças no processo de solicitação do Daca, incluindo novos custos. Mas mantém as condições do programa original, que protege da deportação e dá visto de trabalho por dois anos, passíveis de renovação.

Para estar amparados pelo Daca, os imigrantes em situação irregular levados ainda crianças devem estar residindo nos EUA desde 2007 e ter chegado antes dos 16 anos ao país. Além disso, eles devem estar estudando, ter se formado ou ser veteranos das Forças Armadas e não podem ter sido processados por um crime, entre outros requisitos.

Até 30 de junho, cerca de 600 mil pessoas eram protegidas pelo Daca, a maioria do México (81%), seguidas de El Salvador (4%), Guatemala (3%) e Honduras (2%). No entanto, calcula-se que os “sonhadores” elegíveis ao Daca, que fazem parte da população total de quase 11 milhões de ilegais estimada no país, chegariam a uns 2 milhões.

Selo legal

Na tentativa de reforçar o programa por meio de uma regra formal – que é um processo mais rigoroso do que o memorando original, embora ainda não seja uma legislação – o governo Biden espera obter um selo legal de aprovação dos tribunais. É possível que o caso seja decidido novamente pela Suprema Corte, a menos que o Congresso aja primeiro.

A decisão do governo Biden ocorre no momento em que os congressistas democratas lutam para incluir cláusulas de imigração em seu pacote de dez anos e US$ 3,5 trilhões de iniciativas sociais e ambientais.

A linguagem nesse projeto de lei, ajudando milhões de imigrantes a permanecerem permanentemente nos EUA, tem sido o principal objetivo dos legisladores progressistas e pró-imigração. Os democratas, no entanto, não podem perder muitos votos, já que têm uma maioria apertada na Câmera dos Deputados. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

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No Dia Mundial de Combate à Aids, papa pede solidariedade a vítimas

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Ele lembrou que, em algumas áreas, não há acesso a cuidados essenciais

© REUTERS / Remo Casilli

O papa Francisco pediu nesta quarta-feira (1º) mais solidariedade com aqueles que sofrem com o vírus HIV, para garantir os cuidados dos que vivem nos lugares mais pobres do mundo.

Em sua audiência geral, Francisco disse que o Dia Mundial de Combate à Aids é uma ocasião importante para lembrar das pessoas afetadas pelo vírus. Em algumas áreas do mundo não existe acesso a cuidados essenciais, disse ele.

A UNAids, programa de combate ao HIV e à aids, da Organização das Nações Unidas (ONU) sediado em Genebra, afirmou na segunda-feira que a pandemia de covid-19 está minando a reação à aids em muitos locais, e que os serviços para pessoas que usam remédios contra HIV sofreram transtornos em 65% dos 130 países pesquisados.

“Espero que possa haver um compromisso renovado de solidariedade para garantir cuidados de saúde eficientes e igualitários (para aqueles com HIV-Aids)”, disse o papa.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 37,7 milhões de pessoas conviviam com o HIV no final de 2020, mais de dois terços delas na África.

No mês passado, Francisco escreveu uma carta a Michael O’Loughlin, jornalista norte-americano que escreveu um livro sobre o trabalho de católicos que ajudaram vítimas da aids no início da crise surgida nos anos 80.

“Obrigado por iluminar as vidas e dar testemunho dos muitos padres, mulheres religiosas e leigos que escolhem acompanhar, apoiar e ajudar seus irmãos e irmãs sofrendo de HIV e aids, com grande risco para sua profissão e reputação”, escreveu o papa na carta.

Por Agência Brasil

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Refugiados forçados a pedir asilo em campos ‘semelhantes a prisões’ enquanto a Grécia aperta o sistema

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Agências de ajuda temem que planos de descartar aplicativos via Skype sejam uma tentativa de controlar e conter, em vez de ajudar os requerentes de asilo

Refugiados sírios e curdos protestam nos escritórios da UE em Atenas. Uma família síria demorou quase um ano para solicitar asilo na Grécia. Fotografia: Louisa Gouliamaki / AFP / Getty

Cuando Hadi Karam *, um sírio de fala mansa, decidiu deixar a cidade devastada pela guerra de Raqqa, ele sabia que a viagem para a Europa seria arriscada. O que ele não havia considerado era como a tecnologia seria um obstáculo quando ele chegasse à Grécia.

“Nunca pensei que o Skype seria o problema”, diz o jovem profissional, contando a provação de sua família ao tentar entrar em contato com os oficiais de asilo no país. “Você toca, toca e toca. Semanas e semanas se passam e nunca há uma resposta. ”

Karam, sua esposa grávida e filho passaram dois meses tentando cruzar a fronteira terrestre que a Síria compartilha com a Turquia – uma façanha realizada após nove tentativas. A viagem da Turquia para Rodes até o porto de Pireu levou menos de uma semana.

Mas negociar a burocracia labiríntica da Grécia para notificar as autoridades de seu desejo de solicitar asilo demorou quase um ano. “Quando, finalmente, terminei, disseram que poderia ir para a minha entrevista em março de 2022”, disse Karam. “Até então, estamos presos aqui sem nada para fazer a não ser esperar no acampamento.”

No entanto, a família também tem sorte.

Na semana passada, mantendo seu mantra de políticas de migração “ duras, mas justas ”, o governo de centro-direita de Atenas anunciou que os procedimentos de asilo para requerentes de primeira viagem só seriam permitidos em centros de recepção administrados pelo Estado. O uso do aplicativo de comunicações, disse, seria limitado estritamente àqueles cujos aplicativos foram rejeitados e desejam apelar.

“Há pessoas que por anos fogem da detecção nunca se declarando às autoridades”, diz Marios Kaleas, o principal funcionário do serviço de asilo do país.

“Para fins de controle, de ter uma imagem completa de quem está aqui e por razões de segurança nacional e ordem pública, eles devem ser rastreados.”

Quanto tempo levará o processo de registro, ou onde ficarão os locais “especialmente designados”, ainda não foi decidido, diz ele.

“Ainda estamos discutindo a localização, mas o que sei é que haverá dois centros, um no norte [do continente] e outro no sul.”

Embora a Grécia tenha visto uma queda dramática nas chegadas desde 2015, quando estava no centro de uma crise de refugiados – com mais de 800.000 pessoas cruzando o Mar Egeu – sua proximidade com a Turquia ainda a torna uma rota popular para aqueles na África, Ásia e o Oriente Médio fugindo da guerra, pobreza e perseguição.

Na segunda-feira, o ministro da migração de Atenas, Notis Mitarachi, saudou a queda nos números, dizendo que as novas chegadas foram 90% menores do que em 2019 .

“Estabelecemos uma meta para mudar o que estava acontecendo nos pontos de entrada”, disse ele à emissora pública do país, ERT. “De estruturas abertas como Moria, que envergonhou o país , agora podemos falar de estruturas fechadas e controladas, que proporcionam condições de vida decentes”, disse ele, referindo-se ao notoriamente esquálido acampamento ao ar livre em Lesbos que foi destruído por incêndios no ano passado .

Por trás dessa retórica, e com a Europa endurecendo sua postura em relação aos refugiados, os trabalhadores humanitários temem que a mudança abrupta de política vise mais “controlar e conter” os requerentes de asilo do que facilitar suas vidas.

Corinne Linnecar, gerente de defesa da Mobile Info Team, uma instituição de caridade com sede na Grécia que há muito auxilia pessoas com pedidos de asilo, descreve a medida como caótica e mal definida. “Os atrasos na entrada no sistema de asilo não se deviam a pessoas que tentavam fugir às autoridades, mas sim a consequência de um sistema ineficiente”, diz ela. “Esta mudança de política só verá mais atrasos.”

Por meio de um procedimento semelhante a uma loteria, implementado pela primeira vez há oito anos, aqueles que chegam via continente, assim como Creta e Rodes, foram obrigados a usar o Skype para informar o serviço de asilo grego sobre seu desejo de solicitar proteção internacional. O sistema de pré-registro, que não se aplica a Lesbos e outras ilhas da linha de frente do mar Egeu, foi um primeiro passo necessário antes que os candidatos recebessem uma entrevista para registrar seu pedido pessoalmente.

Um novo acampamento em Samos, o primeiro de cinco novos campos de migrantes 'fechados' nas ilhas do Mar Egeu para receber os migrantes que chegam por mar da vizinha Turquia.
Um novo acampamento em Samos, o primeiro de cinco campos ‘fechados’ de migrantes nas ilhas do Mar Egeu, criados para receber migrantes da Turquia por via marítima. Fotografia: Louisa Gouliamaki / AFP / Getty

Mas, como Karam e milhares de outros descobriram, o sistema, que oferece 210 slots em 17 idiomas por semana, costumava ser um grande impedimento para que as solicitações fossem feitas.

Um estudo recente da Mobile Info Team descobriu que, em média, as pessoas ainda não haviam contatado um oficial de asilo por meio do aplicativo após 14 meses. Sem registro, os requerentes de asilo permanecem invisíveis, sem acesso a cuidados de saúde e proteção legal, com muitos tentando seguir em frente frustrados, continuando suas viagens para a Europa Central através dos Balcãs.

“O procedimento do Skype como estava era desumano, forçando as pessoas a permanecerem sem documentos e indigentes por muitos meses e muitas vezes anos”, diz Linnecar.

Até que os novos centros de recepção estejam operacionais, os refugiados que não puderam entrar em contato com as autoridades de asilo por meio do Skype serão “completamente bloqueados” de entrar no sistema, diz ela.

“Impedir temporariamente todo o acesso ao procedimento de asilo, limitar a liberdade das pessoas e forçá-las a entrar em estruturas semelhantes a prisões não é a resposta”, diz Linnecar. “As únicas instalações de registro já conhecidas na Grécia são semelhantes às prisões; no continente, essas instalações são completamente fechadas, o que significa que as pessoas não podem sair de jeito nenhum ”.

Funcionários da agência de refugiados das Nações Unidas, ACNUR, também expressaram preocupação, dizendo que “questões básicas” precisam ser respondidas, incluindo como as pessoas seriam transferidas para locais designados.

“Garantir o acesso rápido e eficiente a procedimentos de asilo justos e eficientes é fundamental para a proteção adequada das pessoas que precisam de proteção”, disse Stella Nanou, porta-voz do ACNUR em Atenas.

O ACNUR alertou que cerca de meio milhão de refugiados afegãos podem seguir para o oeste após a queda de Cabul e a tomada do Taleban. No mês passado, o Fundo Monetário Internacional repetiu essa previsão, citando o colapso da economia dependente de ajuda do país .

A Grécia seria a principal porta de entrada para a Europa. Com o aumento das patrulhas marítimas, em meio a acusações de repulsão de requerentes de asilo , acredita-se que a maioria tentaria entrar pela fronteira terrestre que o país compartilha com a Turquia na região de Evros.

Uma cerca alta de metal vista através de algumas flores silvestres secas
A cerca na fronteira greco-turca em Evros, onde as chegadas de requerentes de asilo ultrapassaram as das ilhas do Mar Egeu este ano. Fotografia: Nicolas Economou / NurPhoto / Rex

Este ano, pela primeira vez desde 2012, quando foi erguido um muro ao longo de parte da fronteira, os requerentes de asilo que utilizaram a rota ultrapassaram os que chegaram à Grécia de barco, tornando o continente o principal ponto de entrada. Em 21 de novembro, 3.568 recém-chegados haviam se registrado nos postos avançados do Egeu, em comparação com 4.311 que chegaram por meio de Evros, de acordo com a agência da ONU.

Kaleas, o diretor do serviço de asilo, aceita que não tem sido fácil para os requerentes de asilo apresentarem seus pedidos pelo Skype, dizendo: “Eles têm que insistir”.

Mas ele rejeita relatos de que a mudança de política envolveria homens, mulheres e crianças sendo transferidos do continente para ilhas próximas à Turquia, onde mais dois centros de recepção altamente fortificados financiados pela UE foram abertos no fim de semana. Grupos de direitos humanos condenaram os acampamentos nas ilhas do Egeu como equivalentes a prisões .

“De forma alguma as pessoas serão mantidas como prisioneiros”, diz ele, insistindo que se os requerentes de asilo passassem por procedimentos de recepção e identificação em vez de optarem por se tornarem “fantasmas”, eles teriam acesso aos benefícios da previdência.

“Assim que forem submetidos à coleta de impressões digitais e verificados pelos funcionários da Frontex [agência de fronteira da UE] e pela polícia helênica, eles poderão ir. Não prevejo que o processo demore muito, mas quanto tempo vai demorar, não sei dizer. ”

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Os ministros devem enfrentar acusações de má conduta devido à crise da Covid, afirmam ativistas do Reino Unido

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Inquérito não oficial do grupo de campanha do NHS afirma que falhas de governança contribuíram para milhares de mortes

Uma enfermeira em uma ala de Covid no hospital Forth Valley em Larbert, Stirlingshire. Fotografia: Andrew Milligan / PA

Os ministros do Reino Unido devem enfrentar acusações de “má conduta em cargos públicos” no tratamento da pandemia do coronavírus, disse um inquérito não oficial.

O inquérito People’s Covid, formado pelo grupo de campanha política Keep Our NHS Public, disse que houve “graves falhas de governança” em Westminster que contribuíram para dezenas de milhares de mortes evitáveis.

O inquérito, que ouviu evidências de fevereiro deste ano até o verão, disse que o governo não protegeu as populações-chave sob maior risco e que as recomendações de exercícios anteriores de planejamento de pandemia foram ignoradas.

Deve-se considerar a possibilidade de apresentar acusações de má conduta em cargos públicos, dadas as evidências disponíveis de falhas e as graves consequências para o público, acrescentou.

O governo disse que se comprometeu a realizar um inquérito público completo na próxima primavera, pois há lições a serem aprendidas.

Acusando os ministros de “graves falhas de governança” em um relatório publicado na quarta-feira, o inquérito da Covid do Povo disse: “Isso contribuiu para dezenas de milhares de mortes e sofrimentos evitáveis, e equivalem a má conduta em cargos públicos”.

Seu presidente, Michael Mansfield QC, disse que houve “falha terrível em face de riscos manifestamente óbvios”.

Ele disse que o inquérito identificou um “tema de comportamento que equivale a negligência grosseira por parte do governo, seja examinado individualmente ou coletivamente”.

Ele continuou: “Houve vidas perdidas e vidas devastadas, o que era previsível e evitável. Desde a falta de preparação e política coerente, atrasos inescrupulosos, através de aquisições preferenciais e perdulárias, até os próprios ministros infringirem as regras, a má conduta é devastadora. ”

O inquérito ouviu evidências de uma série de testemunhas e organizações, incluindo acadêmicos, trabalhadores da linha de frente e famílias enlutadas.

Mansfield disse que não houve responsabilização e que isso não poderia ser compensado pelo sucesso do lançamento da vacina.

Jo Goodman, cofundadora do grupo Covid-19 Bereaved Families for Justice, que contribuiu para o inquérito, disse: “É vital que as famílias enlutadas estejam no centro da próxima investigação e sejam ouvidas a cada passo, e isso o relatório evidencia exatamente o porquê.

“A perda de nossos entes queridos deve ser usada para aprender lições e salvar vidas – algo em que o governo deve estar totalmente focado e dedicado.”

Um porta-voz do governo disse: “Covid-19 é uma pandemia sem precedentes que desafiou os sistemas de saúde em todo o mundo. Graças ao nosso esforço nacional coletivo, nossos planos de preparação e nossos funcionários da linha de frente do NHS, salvamos vidas, vacinamos dezenas de milhões de pessoas e evitamos que o NHS ficasse sobrecarregado.

“Nós nos preparamos para uma série de cenários e, ao implantarmos os principais elementos de nossos planos de preparação contra a gripe, fomos capazes de desenvolver novos meios para combater o vírus rapidamente, como por exemplo, estabelecendo nosso programa nacional de testes e lançando milhões de vacinas.

“Cada morte causada por esse vírus é uma tragédia e sempre dissemos que ainda há lições a serem aprendidas com a pandemia, por isso nos comprometemos com um inquérito público completo na primavera.”

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Japão suspende reservas de voos por variante ômicron, que se propaga pelo mundo

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O surgimento da nova variante, aparentemente mais contagiosa e com múltiplas mutações, gerou uma reação de pânico de vários governos, que adotaram novas restrições e limitações de viagens

(crédito: PHILIP FONG / AFP)

Tóquio, Japão- O Japão suspendeu a partir desta quarta-feira (1/12) e durante pelo menos um mês as novas reservas de voos de entrada no país, ignorando a recomendação da OMS de não proibir viagens devido à nova variante ômicron da covid-19, que foi detectada em mais países nas últimas horas.

O surgimento da nova variante, aparentemente mais contagiosa e com múltiplas mutações, gerou uma reação de pânico de vários governos, que adotaram novas restrições e limitações de viagens.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que “as proibições gerais às viagens não impedirão a propagação internacional” da ômicron e seu diretor, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu “calma” e uma resposta “racional”.

Apesar do apelo, poucas horas depois o governo japonês suspendeu as novas reservas para voos de entrada no país diante dos temores provocadas pela variante.

“Pedimos às companhias aéreas que parem de aceitar as reservas para novos voos de entrada durante um mês, a partir de 1º de dezembro”, declarou à AFP uma fonte do ministério dos Transportes.

O anúncio aconteceu pouco depois da detecção de um segundo caso de ômicron no país asiático.

De acordo com o governo, o paciente é um homem na faixa de 20 anos que chegou em 27 de novembro na capital Tóquio procedente do Peru, país que não detectou oficialmente nenhum caso da nova variante.

– Casos no Brasil –

O Brasil anunciou na terça-feira dois casos da variante ômicron em passageiros que chegaram da África do Sul antes de este país anunciar a descoberta da cepa.

Os contagiados são “um homem de 41 anos e uma mulher de 37, procedentes da África do Sul”, que desembarcaram no Brasil em 23 de novembro, informou a secretaria de Saúde do estado de São Paulo.

Segundo informações, o casal de missionários que vive no país africano apresentava sintomas leves no momento dos testes PCR. Desde então, os dois estão em isolamento domiciliar e sob monitoramento, assim como seus familiares.

Outros países da América Latina estão em alerta. O Equador, por exemplo, adiou a reabertura da fronteira terrestre com a Colômbia, prevista para esta quarta-feira, até 15 de dezembro.

– Negociações na OMS –

Desde que a África do Sul anunciou a detecção da variante na semana passada, muitos países fecharam as fronteiras para pessoas procedentes do sul da África, o que provocou indignação na região.

Estas medidas “podem ter um impacto negativo sobre os esforços globais de saúde durante uma pandemia, desencorajando os países a relatar e compartilhar dados epidemiológicos e de sequenciamento”, advertiu a OMS.

A falta de eficácia das restrições ficou demonstrada quando a Holanda reportou que a variante ômicron estava presente em seu território antes que a África do Sul informasse o primeiro caso, em 25 de novembro.

E a propagação continua. Nesta quarta-feira, a Nigéria, país mais populoso da África, e a Arábia Saudita anunciaram os primeiros casos da nova cepa.

A preocupação aumentou ainda mais depois que o CEO do laboratório americano Moderna, Stephan Bancel, afirmou que pode acontecer uma “redução importante” da eficácia das atuais vacinas contra a ômicron.

Uma possível solução seria o comprimido anticovid do laboratório americano MSD, que recebeu a recomendação do painel de especialista designado por Washington para pacientes adultos de alto risco após uma votação apertada.

A OMS considera “elevada a probabilidade de propagação da ômicron a nível mundial”, mas persistem as dúvidas sobre o nível de contágio, sua resistência às vacinas ou gravidade.

Um elemento tranquilizador é que, até o momento, nenhuma morte foi associada à nova variante.

A pandemia de covid-19 provocou mais de 5,2 milhões de mortes desde a detecção do coronavírus no fim de 2019 na China, segundo um balanço da AFP.

Com a pandemia ainda longe do controle, os 194 Estados integrantes da OMS iniciaram nesta quarta-feira negociações para alcançar um acordo que melhore a prevenção e o combate de futuras pandemias.

A decisão, aprovada por unanimidade, “representa um compromisso comum para reforçar a prevenção, a preparação e a resposta às pandemias, levando em consideração as lições que aprendemos”, declarou a embaixadora australiana na ONU, Sally Mansfield, ao apresentar o texto.

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Grécia tornará vacinação para maiores de 60 anos obrigatória, diz premiê

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Autoridades disseram que imporão uma multa de 100 euros a cada indivíduo de mais de 60 anos que não estiver vacinado

Grécia: Idoso toma vacina da Pfizer-BioNTech contra a Covid-19 no Monte Athos, Grécia 16/11/2021 REUTERS/Alexandros Avramidis (Alexandros Avramidis/Reuters)

A Grécia anunciou nesta terça-feira que tornará a vacinação contra covid-19 obrigatória para pessoas com 60 anos ou mais, uma medida drástica para o país, que está enfrentando uma nova disparada de casos de coronavírus.

Autoridades disseram que imporão uma multa de 100 euros a cada indivíduo de mais de 60 anos que não estiver vacinado. A medida será aplicada a partir de 16 de janeiro.

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, disse que relutou para tomar a decisão, mas que ela é necessária para proteger os mais de meio milhão de compatriotas idosos que não se imunizaram.

“É o preço a se pagar pela saúde”, disse.

Cerca de 63% da população aproximada de 11 milhões de gregos está totalmente vacinada. Embora os agendamentos de vacinação tenham aumentado nas últimas semanas, dados do Ministério da Saúde mostram que há 520 mil pessoas de mais de 60 anos ainda não vacinadas.

Estamos concentrando nossos esforços na proteção de nossos cidadãos, e por esta razão sua vacinação será obrigatória de agora em diante”, explicou Mitsotakis em uma reunião do gabinete.

Ele não disse como a medida será aplicada, mas uma multa de 100 euros é uma parcela considerável das pensões de valor médio de 730 euros.

Neste mês, a Grécia proibiu pessoas que não se vacinaram em ambientes fechados, como restaurantes, cinemas, museus e academias de ginástica, ao ver os casos diários de covid-19 atingirem altas recordes.

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‘Ela definiu a Alemanha moderna’: Blair, Barroso e Prodi sobre Angela Merkel

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Quando ela assumiu o cargo, seus colegas líderes incluíam Blair, Chirac e Bush. Três dos que participaram de sua primeira cúpula do G8 relembram seu legado

‘Firme em questões de princípio’… Merkel com Vladimir Putin na cúpula UE-Rússia de 2007 em Samara, onde ela pressionou o líder russo a consertar um oleoduto vital. Fotografia: Itar-Tass / Reuters

José Manuel Barroso

Presidente da Comissão Europeia, 2004-14

Nos 10 anos em que chefiei a Comissão Europeia, Angela Merkel foi claramente a líder nacional mais influente da Europa. Mas em sua primeira cúpula do G8, em 2006, ela ainda era relativamente tímida, talvez até um pouco desconfiada, como mostra a foto.

Minha impressão é que isso não tem nada a ver com o fato de ela ser mulher. Em vez disso, associei isso à sua experiência: políticos de países com um passado totalitário recente tendem a ser um pouco reservados quando entram pela primeira vez no cenário europeu ou internacional.

Lembro-me de uma conversa com ela e o presidente do Chile, Sebastián Piñera. Piñera ingressou na política no final da era Pinochet, após uma carreira nos negócios. Ela perguntou por que ele se engajou na política, porque ela estava tentando comparar sua experiência política, vinda também de um país não democrático, com a do presidente chileno.

Merkel foi muito franca: ela nos disse que quando era muito jovem queria se juntar aos Jovens Pioneiros, a organização juvenil do partido socialista da Alemanha Oriental, não por causa de sua ideologia, mas porque havia algumas atividades interessantes e algumas viagens para lá, mas ela entendeu que ela nunca seria bem-vinda lá como filha de um pastor cristão. Sua atitude em relação à política era de desconfiança pragmática no poder.

José Manuel Barroso, Nicolas Sarkozy e Merkel na cúpula de 2010.

‘Uma atitude clara de desconfiança’… José Manuel Barroso (à esquerda) sobre o relacionamento inicial de Merkel com Nicolas Sarkozy (ao centro), retratado aqui em uma cúpula de 2010. Fotografia: Eric Feferberg / AFP / Getty Images

Isso também implicou, pelo menos no início de sua relação com Nicolas Sarkozy, o líder da França, seu maior aliado na Europa, uma atitude muito clara de desconfiança. Estive em muitas reuniões com os dois por causa da crise da dívida soberana, e dificilmente você poderia ter encontrado um par de pessoas mais diferente em termos de temperamento: um deles um verdadeiro animal político intuitivo, o outro racional, prudente, detalhista -orientado.

Eu a vi magoada com os comentários de Sarkozy. Com uma taça de vinho depois do jantar – Merkel gosta de uma boa taça de tinto, mas não durante a Quaresma – ela me confessou que ouviu o presidente francês dizer que a França, ao contrário da Alemanha , não precisava se desculpar constantemente pelo passado. Ela estava quase chorando quando relatou esse episódio.

As pessoas têm uma imagem de Merkel como sendo racional ao ponto da frieza. Mas eu a vi várias vezes com emoção sincera. Ela é muito alemã, no final das contas, uma patriota e uma torcida apaixonada do time de futebol alemão, que certa vez reclamou com o primeiro-ministro italiano Mario Monti sobre os jogadores de seu país serem muito agressivos em uma partida contra a sua equipe.

E, no entanto, ela é racionalmente pró-europeia: apesar de suas suspeitas, ela amarrou o destino do povo alemão à União Europeia e à zona do euro, eventualmente apoiando todos os instrumentos introduzidos para proteger a moeda única. Com Sarkozy, também, ela sabia que era vital para a Alemanha e a França encontrarem um terreno comum, e ela trabalhou nisso.

A Alemanha da era Merkel foi criticada por permitir que interesses econômicos influenciassem sua posição sobre a Rússia. Isso ignora seu forte apoio às sanções após a invasão da Ucrânia pela Rússia e suas palavras claras sobre o envenenamento de Alexei Navalny.

Com Vladimir Putin, o único outro líder daquela foto em 2006 que ainda está no poder, Merkel sempre acertou o tom. Ela mostrou respeito pela Rússia e sua história e nunca a teria chamado de “potência regional” como Obama fez. Ao mesmo tempo, ela sempre foi extremamente firme em questões de princípios.

Lembro-me da cúpula UE-Rússia de 2007 em Samara e de uma conversa entre Putin, Merkel e eu. Recentemente, houve uma ruptura do sistema de oleoduto de Druzhba, que é crucial para a transmissão de petróleo para a Europa Ocidental e os Estados Bálticos. Sabíamos que a Rússia estava por trás disso, mas Putin negou, alegando que foi um acidente. Merkel o pressionou de maneira brilhante. Por que você não conserta, ela perguntou. É caro, disse Putin. Pagaremos por isso, respondeu Merkel. Putin perdeu a paciência naquele ponto. Por que vocês estão sempre defendendo o Báltico, ele nos perguntou.

Merkel aprendeu algo com Helmut Kohl: na União Europeia, é preciso prestar atenção a todos, não apenas às grandes personalidades e aos grandes países.

Você também pode ver isso nas cúpulas do G20: a maioria dos líderes entra na sala e apenas aperta a mão de seus colegas. Merkel era diferente. Ela também diria olá aos assessores de diferentes delegações. Ela não diria apenas olá a Obama, mas também falaria a Mike Froman, o sherpa do presidente dos Estados Unidos. Claro, Froman ficou encantado.

Por que ela estava fazendo isso? Acho que é em parte o temperamento dela, mas ela também sabia que poderia obter mais informações dos assessores que leram a papelada com mais detalhes do que os chefes de Estado.

Tony Blair
Primeira-ministra do Reino Unido, 1997-2007

Angela Merkel muitas vezes definiu a Alemanha moderna. Não em termos de longevidade no cargo, mas no espírito que ela simbolizou: calma, segura, razoável e racional, bom senso personificado, colaborando além das fronteiras nacionais, dando início a uma reforma progressiva em casa.

Eu era próximo de seu antecessor, Gerhard Schröder, vindo da mesma ala da política que nós, mas conheci Ângela primeiro quando ela era líder da oposição e depois como chanceler durante meus últimos anos como primeiro-ministro, quando desenvolvemos uma amizade que perdurou depois que deixei o cargo.

Merkel e Tony Blair fotografados juntos em 2013. Ele disse que a amizade deles durou depois que ele deixou o cargo.

Merkel e Tony Blair em 2013. Ele disse que a amizade deles durou depois de deixarem o cargo. Fotografia: Carsten Koall / Getty Images

Seu período como chanceler a viu superar a crise financeira, a ameaça do populismo, a crise dos refugiados, Brexit e agora Covid. A sua gestão estratégica do país, bem como a sua profunda contribuição para os assuntos europeus, tem sido um alicerce de estabilidade num período de profundas mudanças e desafios.

Muitos se lembrarão de sua chancelaria para gerenciamento de crise altamente competente, pragmatismo e seriedade. Mas minhas lembranças de nossas interações são tanto sobre seu calor, sua sabedoria e seu humor. Uma das últimas vezes que nos encontramos em Berlim concluímos um encontro sobre o futuro da África, apenas para ela perceber que a Chancelaria parecia completamente deserta. Imperturbável, Ângela se levantou e disse que nos acompanharia para fora do prédio ela mesma. Depois de uma série de curvas erradas, o prédio sendo uma espécie de labirinto, ela finalmente conseguiu nos escoltar para fora, mas completamente sem irritação ou qualquer senso de status.

Cada político tem uma parte dominante de sua psique política. Para Ângela, é ver o compromisso e a navegação do desafio político com a máxima atenção à solução prática, como uma força e não como uma fraqueza.

Ao longo da crise da zona do euro, ela desempenhou uma tarefa intratável: ajudar os países mais pobres da União Europeia em face da ameaça existencial à sua estabilidade, enquanto mantinha a opinião pública alemã de lado, que naturalmente sentiu que a Alemanha não deveria ter que socorrer esses países cujas reformas estavam avançando muito lentamente.

Na verdade, seu legado na Europa é ter conduzido por tempos extraordinariamente difíceis, quando uma Europa agora com 27 países teve que lutar com múltiplas crises. Eu sei como ela se sentia sobre Brexit – ela estava profundamente triste com isso. Mas depois disso ela sempre estava determinada a não ser grosseira com a decisão que os britânicos haviam tomado.

Mesmo sua maior crise doméstica – a promessa de receber um milhão de refugiados sírios – veio de um lugar de compaixão.

Ela era a arqui antipopulista, em caráter e política. Sua liderança fará muita falta.

Romano Prodi

Primeiro-ministro italiano, 2006-08

A última vez que encontrei Angela Merkel foi em Assis, em 2018, quando os Frades Franciscanos conferiram a ela a “Lâmpada da Paz” por seus méritos em preservar a paz na Europa. Durante a cerimônia refleti sobre os motivos pelos quais ela merecia o prêmio: não por suas fortes declarações ou ações inesperadas, mas por ter conseguido equilibrar os interesses nacionais da Alemanha com as exigências do projeto europeu. Com efeito, embora reconhecendo o papel cada vez mais dominante da Alemanha na economia do continente, ela também foi capaz de mediar entre as pressões nacionalistas e a solidariedade com os parceiros europeus.

Embora esse dilema tenha surgido em muitas ocasiões, ela sempre conseguiu encontrar um compromisso final, como nas crises de refugiados da Grécia e da Síria. Ela conseguiu conciliar as pressões de curto prazo com os interesses de longo prazo da solidariedade europeia, que é indispensável também para o futuro papel da Alemanha no mundo.

Graças à confiança que o povo alemão lhe deu, a chanceler Merkel teve a oportunidade de desenvolver uma nova estratégia europeia após as pandemias. A próxima geração da UE não é apenas o símbolo da luta comum contra a crise, mas também e acima de tudo um sinal da irreversibilidade do projecto europeu. Este é o grande legado que Angela Merkel deixará para o futuro da Alemanha e da Europa.

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