LUANY GALDEANO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A taxa extra de 50% aplicada por Donald Trump ao Brasil tende a impactar principalmente a região Sudeste do país. Os principais exportadores para os EUA são, na ordem, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, segundo dados da Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) e do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços.
Em 2024, São Paulo exportou quase R$ 13,6 bilhões, representando 33,6% do total. Em seguida está o Rio de Janeiro, com R$ 7,4 bilhões, e Minas Gerais, com R$ 4,6 bilhões. Juntos, os estados do Sudeste responderam por 71% das exportações no ano passado.
Até o meio deste ano, São Paulo lidera novamente com R$ 6,4 bilhões exportados, seguido pelo Rio de Janeiro com R$ 3,2 bilhões e Minas Gerais com R$ 2,4 bilhões. Esses valores são calculados em FOB, que não considera o custo do transporte internacional.
Para 2025, as principais exportações de São Paulo para os Estados Unidos são aeronaves produzidas pela Embraer no Vale do Paraíba, sucos de frutas e equipamentos de engenharia.
Após o anúncio da tarifa, exportadores de suco de laranja relataram que a sobretaxa ameaça o setor, colocando-o em risco de colapso.
Já no Rio de Janeiro, o principal produto exportado para os EUA é o petróleo bruto. O ferro e aço semiacabados e óleos combustíveis também são destaque nas exportações do estado.
Em Minas Gerais, os bens mais exportados são o café não torrado, o ferro-gusa e máquinas para geração de energia elétrica.
Este ano, as exportações do setor industrial brasileiro para os EUA aumentaram 3,2%, enquanto as vendas do setor agropecuário cresceram 1,3%. Dos dez principais produtos vendidos aos Estados Unidos, seis apresentaram aumento de valor, incluindo café não torrado, produtos semiacabados de ferro e aço e aeronaves.
Segundo relatório da Amcham, as exportações industriais para os EUA alcançaram recorde de US$ 16 bilhões em 2024. Os EUA são o principal destino das exportações industriais brasileiras, superando Mercosul (US$ 11,5 bilhões), União Europeia (US$ 10,8 bilhões) e China (US$ 9,7 bilhões).
A sobretaxa imposta por Trump causou reações entre governadores que apoiam o presidente americano e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Recentemente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reconheceu os impactos negativos da medida, apontando São Paulo como o estado mais prejudicado caso a tarifa entre em vigor em agosto.
Na última sexta-feira (11), Tarcísio reuniu-se com o embaixador dos EUA para discutir os efeitos da tarifa na economia brasileira.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), classificou a sobretaxa como uma ação errada e injusta, pedindo sua revisão. Um dia antes, ele havia comentado que a população acabaria arcando com as consequências das decisões do presidente Lula e do STF.
Segundo Zema, “Defender a liberdade não pode significar prejudicar os trabalhadores e produtores brasileiros”.