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segunda-feira, 23/02/2026

Estados do Norte têm maior número de estupro de vulnerável em 2025

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Em Brasília

RAQUEL LOPES
FOLHAPRESS

Os estados da região Norte apresentaram as maiores taxas de estupro de vulneráveis por 100 mil habitantes em 2025, conforme o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em Roraima, foram registradas 540 ocorrências, resultando em uma taxa de 73,09, a mais elevada do país. Logo atrás estão Rondônia, com taxa de 70,55; Amapá, 56,91; Pará, 54,21; e Acre, 51,11. O Paraná foi o primeiro estado fora da região Norte a aparecer na lista, com taxa de 44,34.

Do total de estupros registrados no Brasil em 2025, dois em cada três casos foram classificados como estupro de vulnerável, totalizando 57.329 ocorrências, o que representa 71% dos casos (80.605) no período – uma tendência que vem crescendo nos últimos anos.

O estupro, definido pela lei como ato sexual cometido mediante violência ou grave ameaça, é classificado como de vulnerável quando a vítima é menor de 14 anos ou quando apresenta alguma condição que a impede de consentir ou resistir, como deficiência intelectual ou enfermidade.

O registro de estupro contra menores de 14 anos é obrigatório por lei, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o que pode explicar o maior número de registros. Por outro lado, o estupro de mulheres adultas depende em grande parte da vítima fazer a denúncia à polícia.

A Polícia Civil de Roraima explicou que o aumento nos registros está ligado à ampliação das investigações e ao fortalecimento dos canais de denúncia e acolhimento às vítimas, ressaltando que o crescimento dos números não necessariamente indica aumento do crime, mas redução da subnotificação. Muitas vítimas deixam de denunciar por medo, vergonha ou dificuldade de acesso aos serviços.

Outros estados do Norte destacados na pesquisa não responderam aos contatos da reportagem.

Ao comparar 2024 com 2025, houve avanço nas taxas também no Norte e no Nordeste. Maranhão liderou o aumento, com crescimento de 21,1% (de 19,85 para 24,04). A Delegacia Geral da Polícia Civil do Maranhão atribuiu o aumento à maior padronização dos dados e à confiança nas instituições, além de ações integradas entre polícia, Ministério Público, saúde e assistência social.

O Amazonas registrou aumento de 15,45%, e o Pará, com altos índices, cresceu 7,62%. Sergipe e Piauí completam a lista dos maiores crescimentos. Esses estados não se posicionaram até a publicação do texto.

Em números absolutos, São Paulo liderou com 11.330 casos, seguido por Paraná (5.272), Pará (4.722), Minas Gerais (4.093) e Rio Grande do Sul (4.047).

O total de estupros no país caiu de 87.004 em 2024 para 80.605 em 2025, enquanto os casos envolvendo vulneráveis aumentaram de 51.834 para 57.329 no mesmo período.

Não é possível comparar todos os estados devido à falta de dados específicos de estupro de vulneráveis em 2024 por alguns estados e ausência de informações do Rio de Janeiro.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que na maioria dos estupros, especialmente os contra vulneráveis, os autores são familiares, conhecidos ou pessoas próximas às vítimas.

Especialistas afirmam que esses crimes refletem condições sociais permissivas e desigualdades profundas, não sendo apenas impulsos individuais.

A maioria das vítimas no país é do sexo feminino, com 86% dos registros, contra 12,7% do sexo masculino e 1,3% sem identificação de gênero.

Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, observa que, apesar da redução dos crimes em espaços públicos, aumentaram os delitos na esfera privada, principalmente contra mulheres, crianças e adolescentes.

Para Lima, o crescimento dos registros não se explica só pela melhoria da notificação: há aumento real da violência contra os mais vulneráveis.

Ele destaca que a falta de coordenação entre polícia, saúde e assistência social limita respostas eficazes, e que disputas políticas dificultam o trabalho integrado e o acolhimento às vítimas, silenciando muitas delas.

Mario Sarrubbo, ex-comandante da Secretaria Nacional de Segurança Pública, afirma que o estupro de vulneráveis tem raízes culturais e requer educação e debate aberto sobre sexualidade para enfrentamento efetivo.

Sarrubbo também reforça a necessidade de fortalecer canais seguros para que as vítimas busquem ajuda e denúncia.

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