A mobilização digital da esquerda veio para ficar. Líderes, influenciadores e o próprio presidente Lula garantem a importância da atuação nas redes sociais que marcou a campanha do segundo turno das eleições.
O deputado federal André Janones, usando comandos como “urgente” e “explode”, conseguiu reunir mais de 10 milhões de pessoas no grupo “Exército do Lula”, no WhatsApp, liderando a campanha digital que, segundo Lula, foi fundamental para a vitória sobre o adversário Flávio Bolsonaro.
Lula conquistou 51,8% dos votos, tornando-se o primeiro presidente do país a vencer uma eleição após estar em segundo lugar no primeiro turno.
O modelo digital criou um padrão de sucesso reconhecido internacionalmente, com Janones recebendo convites para ajudar campanhas de esquerda em outros países. O grupo “Exército” continuará ativo para apoiar o governo de Lula, especialmente para compensar a minoria de sua base no Congresso.
No seu discurso de vitória, Lula agradeceu a Janones pelo papel fundamental na mobilização digital, prometendo adotar um canal direto de comunicação com o povo brasileiro através das redes, evitando intermediários e interpretações equivocadas.
Outros políticos com grande presença digital também ganharam destaque, como os deputados federais eleitos Ana Elisa, Jones Manoel e Guilherme Cortez. Este último destacou a necessidade de manter a mobilização digital ativa, ressaltando a importância das redes sociais para a disputa política.
A campanha foi marcada por denúncias de interferência das plataformas digitais, com relatos internos da Meta reconhecendo impactos negativos em contas ligadas a Lula. Testes realizados mostraram diferenças no tratamento da inteligência artificial às solicitações relacionadas aos candidatos.
O governo e parlamentares planejam aprovar ainda este ano um projeto de lei para regular as grandes empresas de tecnologia, aproveitando o momento favorável antes da posse do novo Congresso.
Guilherme Cortez defende que a regulação das plataformas ande junto com a mobilização digital, sugerindo a possibilidade de oferecer aos usuários feeds sem algoritmo de recomendação, mostrando apenas conteúdo de conhecidos e perfis seguidos.
Lula reafirmou que a regulação das redes será prioridade, destacando a necessidade de combater a influência externa e o tratamento desigual das plataformas durante a eleição.
Segundo o presidente, crimes no ambiente digital devem ser tratados com a mesma seriedade que no mundo real, e empresas bilionárias precisam pagar impostos de forma justa, sem tentar influenciar resultados eleitorais.
Durante a campanha de 2022, Lula já mostrou interesse em regulamentar as redes sociais, mas o tema não avançou durante o mandato anterior.

