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quinta-feira, 26/03/2026

Especialistas pedem rapidez no acesso a remédio para neuroblastoma no SUS

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Especialistas em câncer infantil pedem rapidez para liberar o medicamento betadinutuximabe (Qarziba) no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar o neuroblastoma, um tipo agressivo de câncer que atinge principalmente crianças pequenas. O pedido foi feito durante uma audiência pública no Senado.

Dra. Eudócia, senadora e presidente da Subcomissão Temporária de Prevenção e Tratamento do Câncer, explicou que o Ministério da Saúde já reconheceu o remédio para aumentar a vida e a qualidade de quem tem a doença. O betadinutuximabe foi incluído no SUS em fevereiro de 2025, com prazo de 180 dias para começar a ser usado, mas a falta de um protocolo oficial impede que o medicamento chegue às crianças.

A senadora destacou que o câncer não espera, e cada dia conta. Ela anunciou que vai apresentar um projeto de lei para criar um protocolo nacional para o tratamento do neuroblastoma.

Patricia Shimoda Ikeuti, médica da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica, ressaltou a importância de um protocolo para o tratamento ser igual em todos os lugares, desde o diagnóstico até a imunoterapia. Atualmente, o diagnóstico é difícil por falta de acesso a exames e centros especializados em várias regiões do país.

Nathalia da Silva Halley Neves, coordenadora do Grupo Brasileiro de Tratamento para Neuroblastoma, alertou que diagnosticar o câncer tarde prejudica o tratamento e diminui as chances de cura em casos de alto risco. Ela afirmou que o cuidado deve ser igual em todo o Brasil, independentemente de onde a criança mora ou é atendida.

Laira dos Santos Inácio, presidente do Instituto Anaju e mãe de uma criança com neuroblastoma, criticou a demora para diagnóstico e acesso ao tratamento, que muitas vezes depende de decisões judiciais demoradas. Ela disse que enquanto isso acontece, o câncer avança e crianças morrem.

Teresa Cristina Cardoso Fonseca, presidente da Confederação Nacional de Instituições de Apoio e Assistência à Criança com Câncer, afirmou que o debate sobre o remédio deve considerar não só o custo, mas o impacto social e humano da falta de acesso. Segundo ela, apesar de ser caro, o número de casos reduzidos não sobrecarrega o orçamento. Ela chamou o tratamento um investimento importante para a saúde das famílias.

Iriana Custódia Koch, vice-diretora da associação AMUCC, reforçou que o câncer afeta toda a família e a sociedade, e que crianças precisam receber tratamento justo em todo o país.

Suyanne Camille Caldeira Monteiro, coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer do Ministério da Saúde, informou que o neuroblastoma foi escolhido como a primeira doença para ter um protocolo oficial de câncer infantil em desenvolvimento, com etapas para começar em abril. O objetivo é organizar o cuidado e facilitar o acesso ao tratamento via SUS.

A Subcomissão Temporária de Prevenção e Tratamento do Câncer, ligada à Comissão de Assuntos Sociais do Senado, é formada por cinco senadores titulares e suplentes, tendo como vice-presidente o senador Dr. Hiran.

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