A Escola de Aplicação da Universidade de São Paulo (USP) teve que diminuir o tempo das aulas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental por ter poucos profissionais para ajudar alunos com deficiência.
Essa escola é conhecida por ser um exemplo de educação inclusiva e humana. Nos últimos anos, aumentou o número de alunos com deficiências e dificuldades, mas não aumentaram os professores especializados para ajudar essas crianças e jovens.
A direção da escola pediu várias vezes à reitoria da USP que contratasse esses profissionais, mas não conseguiu resposta. Mesmo quando os pais ganharam na Justiça o direito a esse apoio, a universidade recorreu e não contratou os profissionais. Hoje, só dois professores especializados atendem cerca de 40 alunos que precisam de ajuda.
A escola está na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo, e está vinculada à Faculdade de Educação. São cerca de 700 alunos do ensino fundamental ao médio. Como a escola não pode contratar diretamente, precisa esperar a autorização da reitoria, que não respondeu sobre novas contratações.
A USP disse que está trabalhando para garantir o funcionamento da escola e minimizar os impactos para alunos e famílias.
Além dos professores de educação especial, a escola pediu contratação de profissionais para ajudar nos cuidados pessoais dos alunos, como higiene e alimentação, mas também não tiveram contratações. Para suprir a necessidade, a escola contratou estagiários que começaram em fevereiro.
Devido à falta de profissionais, foi preciso reduzir o horário de aulas para as turmas do 1º ao 5º ano em fevereiro, com 1h30 a menos por dia.
A escola abre 60 vagas para alunos do 1º ano todo ano e, em 2026, 25% dos novos alunos têm algum tipo de deficiência, percentual muito maior que a média das escolas públicas do país (5,6%).
Os pais estão preocupados que a falta de profissionais prejudique o ensino de qualidade e inclusão da escola. Em reunião, o diretor Fábio Bezerra de Brito informou que os estagiários chegaram mais cedo, reduzindo o tempo da escola com aula diminuída até 13 de fevereiro.
O diretor explicou que a escola busca contratar professores especializados e que nos últimos anos contou com a ajuda de bolsistas, mas a situação ficou mais difícil em 2026.
A Escola de Aplicação é vinculada a uma das maiores faculdades de formação de professores do Brasil e já enfrentou crise por falta de profissionais. Algumas famílias reclamam do que consideram descaso da reitoria. A escola, sendo pública, não oferece merenda.
A reitoria reconhece a importância de oferecer atendimento adequado e informou que criou um programa para conceder 30 bolsas a bolsistas para ajudar no acompanhamento dos alunos. Esses bolsistas começaram suas atividades após o carnaval. Os estagiários ficam sob supervisão pedagógica. A reitoria afirmou cumprir as decisões judiciais e tomar as providências dentro das regras da instituição pública.
O aumento de alunos que precisam de educação especial é visto como resultado do bom trabalho da escola, que não é acolhida por outras escolas públicas, e das famílias que buscam essa referência na USP.
