Paulo Eduardo Dias e Bárbara Sá
FolhaPress
Um dos sócios da academia na zona leste de São Paulo, onde a professora Juliana Bassetto, 27 anos, faleceu após nadar na piscina, disse à Polícia Civil que o funcionário responsável pela manutenção com produtos químicos cometeu um erro. Durante os depoimentos, Celso Bertolo Cruz culpou exclusivamente o manobrista Severino José da Silva, 43 anos, pela falha que teria causado a intoxicação.
Além de Celso, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração também deram depoimento ao delegado Alexandre Bento, do 42º DP (Parque São Lucas). A polícia indiciou os três no inquérito e pediu a prisão temporária deles. A defesa dos sócios não comentou sobre o pedido até o momento.
Celso declarou ser o responsável pela manutenção da academia C4 Gym no Parque São Lucas. Ele relatou que as câmeras mostraram Severino abrindo um balde de cloro em pó e mexendo o conteúdo, o que teria criado uma ‘névoa’ do produto no local.
“Tenho certeza absoluta que Severino errou ao manipular o cloro perto da piscina”, afirmou Celso.
Ele também disse ter uma certificação para manutenção de piscinas. “Desde 2023, com a habilitação, sou responsável pela piscina da academia. Antes disso, Severino cuidava da manutenção sob minha supervisão.”
A Polícia Civil está investigando como o químico foi manuseado e quem deve ser responsabilizado. Severino afirmou que foi contratado para ser manobrista, mas acabava acumulando funções e recebia orientações via WhatsApp dos sócios sobre o uso dos produtos. A defesa dele não foi encontrada.
Celso lembrou um caso no início de 2025, quando a água da piscina mudou de qualidade e a piscina precisou ser fechada. “A água ficou turva e o cloro não resolvia, por isso parei as aulas até resolver o problema.”
Cesar Bertolo Cruz, responsável pela área comercial, disse que não participa da operação da piscina. Após ver as imagens, classificou a ação como “totalmente errada” e “inexplicável”.
Cezar Augusto Miquelof Terração, que cuida das finanças, afirmou que não acompanha a parte técnica da unidade. Disse que o alvará da prefeitura estava vencido, embora o AVCB e os registros da Vigilância Sanitária estivessem em dia. “O alvará da prefeitura está vencido, havia um alvará da antiga empresa sem data de validade, e por isso a renovação não foi feita.”
