Desde que o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo (RDC) declarou um surto de ebola em 15 de maio, este já se tornou o terceiro maior registrado. A epidemia cresce nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, no leste da RDC, com 1.077 casos suspeitos e 246 mortes suspeitas, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) teme que o vírus continue a se espalhar pelo país e além, e grupos humanitários alertam que, sem uma intervenção mais forte, este pode se tornar o surto de ebola mais fatal da história.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que a situação é muito grave e pode piorar antes de melhorar. A organização quer enviar equipamentos e especialistas médicos para ajudar o mais rápido possível, mas seus recursos são limitados, especialmente após os Estados Unidos, maior doador, deixarem a OMS.
Promessas de financiamento feitas após o início do surto diminuíram, como afirmou Jean Kaseya, diretor-geral da África CDC. Parceiros que haviam prometido quase 500 milhões de dólares reduziram a ajuda para 290 milhões de dólares. Ele expressou preocupação com a redução abrupta dos recursos em entrevista coletiva.
A Alemanha, atual maior doadora da OMS, também reduziu suas contribuições, cortando orçamento de seu Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ). Especialistas alertam que esses cortes dificultam o combate à epidemia e enfraquecem os sistemas de saúde locais, atrasando a identificação e o controle do surto.
Organizações humanitárias como a Care e a Caritas pedem mais investimento internacional em assistência e educação para conter a propagação do vírus. Josue Ibulungu, que lidera esforços humanitários em Goma, capital de Kivu do Norte, afirma que apenas 30% da demanda de ajuda está sendo atendida, devido aos cortes financeiros e à dificuldade de manter hospitais e equipes médicas equipadas.
O conflito armado, envolvendo tropas governamentais, milícias e grupos criminosos, agrava a crise, dificultando o acesso a cuidados médicos e a vacinação contra o ebola, especialmente contra a cepa Bundibugyo, para a qual ainda não há vacina ou cura.
O governo da RDC receberá cerca de 160 milhões de euros em ajuda para 2026 e 2027, valor menor que nos anos anteriores. Apesar dos cortes, declarações oficiais afirmam que a Alemanha continuará apoiando a prevenção de epidemias, enviando especialistas para treinar profissionais no local.
Especialistas pedem aumento significativo no financiamento para enfrentar a epidemia, ressaltando a importância das organizações locais que entendem as necessidades das comunidades afetadas. A falta de testes rápidos e laboratórios agrava a situação.
Karl Lauterbach, ex-ministro da Saúde da Alemanha, destaca que apoiar o combate a surtos no continente africano é uma necessidade humanitária e de interesse europeu, alertando que a redução da ajuda pode trazer consequências negativas, como o aumento do fluxo de refugiados para a Europa.

