16.5 C
Brasília
quarta-feira, 24/12/2025

Entenda o caso Banco Master e sua relação com o Judiciário

Brasília
céu pouco nublado
16.5 ° C
16.7 °
16.5 °
95 %
1.7kmh
15 %
qua
26 °
qui
28 °
sex
29 °
sáb
31 °
dom
26 °

Em Brasília

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Banco Master, sob controle de Daniel Vorcaro, gerou tensões não só com o Banco Central, mas também dentro do Supremo Tribunal Federal (STF).

No fim de novembro, no mesmo dia em que a Justiça decidiu liberar Vorcaro da prisão, o ministro Dias Toffoli viajou para Lima acompanhado do advogado de um diretor do Master. Toffoli é o responsável no STF por examinar as investigações envolvendo Vorcaro.

Na terça-feira (23), o jornal O Globo informou que o ministro Alexandre de Moraes entrou em contato pelo menos quatro vezes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir o caso. Políticos de oposição exigiram esclarecimentos de Moraes.

O escritório jurídico ligado à família de Moraes tem contratos milionários com o banco.

Antes da crise, o Banco Master patrocinava eventos que contavam com a presença de membros do Judiciário. Um destes eventos foi o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, que reuniu ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e integrantes do governo Lula em 2024.

A seguir, veja a sequência dos principais acontecimentos do caso Banco Master e sua conexão com o Judiciário, incluindo o STF.

Cronologia

  • 28 de março: O Banco Regional de Brasília (BRB) anuncia a compra de 58% das ações do Banco Master, por cerca de R$ 2 bilhões.
  • 31 de março: Gabriel Galípolo se reúne com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para falar sobre a transação.
  • 1º de abril: O Ministério Público do Distrito Federal inicia investigação sobre a aquisição, pois o BRB tem o governo distrital como maior acionista.
  • 5 de abril: Galípolo reúne os maiores bancos privados para buscar solução para ativos do Master que o BRB não iria comprar devido ao risco.
  • 7 de abril: O Tribunal de Contas da União (TCU) abre investigação sobre possível omissão do Banco Central em negociações do banco com fundos públicos.
  • 11 de abril: Galípolo conversa com Vorcaro e outros diretores do Banco Central.
  • 29 de abril: Galípolo afirma que não vê risco de contágio da crise para o sistema bancário.
  • 30 de abril: O Ministério Público questiona a compra do Master pelo BRB na Justiça, pedindo suspensão do contrato.
  • 6 de maio: Justiça do Distrito Federal proíbe a assinatura do contrato pelo BRB.
  • 9 de maio: Liminar é derrubada e BRB libera a conclusão da compra.
  • 13 de junho: BRB entrega documentos ao Banco Central para análise da compra.
  • 17 de junho: O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprova a compra sem restrições, pendente de aval do Banco Central.
  • 19 de julho: Galípolo se reúne com Vorcaro para a análise final da operação.
  • 13 de agosto: Tribunal de Justiça do Distrito Federal suspende a compra até aprovação pela Câmara Legislativa e acionistas do banco.
  • 19 de agosto: Câmara Legislativa do Distrito Federal autoriza o BRB a adquirir o Master.
  • 2 de setembro: Partidos do centrão tentam aprovar projeto para dar ao Congresso poder para demissão de dirigentes do Banco Central.
  • 3 de setembro: Banco Central rejeita a compra após cinco meses de avaliação.
  • 30 de setembro: Polícia Federal inicia investigação sobre o banco após informações do Banco Central ao Ministério Público Federal.
  • 7 de outubro: Vorcaro conversa por videoconferência com diretor do Banco Central; Galípolo recebe diretor-geral da Polícia Federal.
  • 17 de novembro: Consórcio com os Emirados Árabes propõe compra do Master; na mesma noite, Vorcaro e seu sócio são presos pela Polícia Federal em operação que apura fraude de cerca de R$ 12 bilhões.
  • 18 de novembro: Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Master, com possível resgate do fundo garantidor entre R$ 40 e 50 bilhões.
  • 20 de novembro: Habeas corpus de Vorcaro rejeitado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
  • 28 de novembro: Defesa de Vorcaro requer que inquérito vá para o STF, distribuído ao ministro Dias Toffoli. Toffoli viaja a Lima acompanhado do advogado de um diretor do banco e assiste à final da Taça Libertadores.
  • 29 de novembro: Vorcaro é libertado com tornozeleira eletrônica.
  • 2 de dezembro: Toffoli determina sigilo máximo no pedido da defesa para levar o caso ao STF.
  • 3 de dezembro: Toffoli passa a avaliar todas as diligências relacionadas ao caso.
  • 4 de dezembro: Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) aprova quebra de sigilo de Vorcaro.
  • 11 de dezembro: Jornal revela que o Master contratou o escritório da família do ministro Alexandre de Moraes por altos valores mensais para defender seus interesses.
  • 12 de dezembro: Toffoli manda retirar documentos sigilosos de Vorcaro da CPMI no Congresso.
  • 15 de dezembro: Toffoli autoriza a retomada das investigações e futuras oitivas relacionadas ao Master e ao Banco Central.
  • 16 de dezembro: Mais de 200 pessoas pedem ao STF um código de conduta para seus ministros, após notícias sobre envolvimento de membros da corte com o Master.
  • 18 de dezembro: Ministro do TCU questiona se a liquidação do Master foi precipitada e exige explicações do Banco Central em 72 horas.
  • 22 de dezembro: Jornal reporta que Moraes teria pressionado Galípolo para favorecer o Master; ambos emitem notas diferentes confirmando encontros para tratar de outra lei.
  • 23 de dezembro: Moraes e Banco Central afirmam que encontro presencial foi para discutir a Lei Magnitsky.

Veja Também