SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Banco Master, sob controle de Daniel Vorcaro, gerou tensões não só com o Banco Central, mas também dentro do Supremo Tribunal Federal (STF).
No fim de novembro, no mesmo dia em que a Justiça decidiu liberar Vorcaro da prisão, o ministro Dias Toffoli viajou para Lima acompanhado do advogado de um diretor do Master. Toffoli é o responsável no STF por examinar as investigações envolvendo Vorcaro.
Na terça-feira (23), o jornal O Globo informou que o ministro Alexandre de Moraes entrou em contato pelo menos quatro vezes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir o caso. Políticos de oposição exigiram esclarecimentos de Moraes.
O escritório jurídico ligado à família de Moraes tem contratos milionários com o banco.
Antes da crise, o Banco Master patrocinava eventos que contavam com a presença de membros do Judiciário. Um destes eventos foi o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, que reuniu ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e integrantes do governo Lula em 2024.
A seguir, veja a sequência dos principais acontecimentos do caso Banco Master e sua conexão com o Judiciário, incluindo o STF.
Cronologia
- 28 de março: O Banco Regional de Brasília (BRB) anuncia a compra de 58% das ações do Banco Master, por cerca de R$ 2 bilhões.
- 31 de março: Gabriel Galípolo se reúne com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para falar sobre a transação.
- 1º de abril: O Ministério Público do Distrito Federal inicia investigação sobre a aquisição, pois o BRB tem o governo distrital como maior acionista.
- 5 de abril: Galípolo reúne os maiores bancos privados para buscar solução para ativos do Master que o BRB não iria comprar devido ao risco.
- 7 de abril: O Tribunal de Contas da União (TCU) abre investigação sobre possível omissão do Banco Central em negociações do banco com fundos públicos.
- 11 de abril: Galípolo conversa com Vorcaro e outros diretores do Banco Central.
- 29 de abril: Galípolo afirma que não vê risco de contágio da crise para o sistema bancário.
- 30 de abril: O Ministério Público questiona a compra do Master pelo BRB na Justiça, pedindo suspensão do contrato.
- 6 de maio: Justiça do Distrito Federal proíbe a assinatura do contrato pelo BRB.
- 9 de maio: Liminar é derrubada e BRB libera a conclusão da compra.
- 13 de junho: BRB entrega documentos ao Banco Central para análise da compra.
- 17 de junho: O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprova a compra sem restrições, pendente de aval do Banco Central.
- 19 de julho: Galípolo se reúne com Vorcaro para a análise final da operação.
- 13 de agosto: Tribunal de Justiça do Distrito Federal suspende a compra até aprovação pela Câmara Legislativa e acionistas do banco.
- 19 de agosto: Câmara Legislativa do Distrito Federal autoriza o BRB a adquirir o Master.
- 2 de setembro: Partidos do centrão tentam aprovar projeto para dar ao Congresso poder para demissão de dirigentes do Banco Central.
- 3 de setembro: Banco Central rejeita a compra após cinco meses de avaliação.
- 30 de setembro: Polícia Federal inicia investigação sobre o banco após informações do Banco Central ao Ministério Público Federal.
- 7 de outubro: Vorcaro conversa por videoconferência com diretor do Banco Central; Galípolo recebe diretor-geral da Polícia Federal.
- 17 de novembro: Consórcio com os Emirados Árabes propõe compra do Master; na mesma noite, Vorcaro e seu sócio são presos pela Polícia Federal em operação que apura fraude de cerca de R$ 12 bilhões.
- 18 de novembro: Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Master, com possível resgate do fundo garantidor entre R$ 40 e 50 bilhões.
- 20 de novembro: Habeas corpus de Vorcaro rejeitado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
- 28 de novembro: Defesa de Vorcaro requer que inquérito vá para o STF, distribuído ao ministro Dias Toffoli. Toffoli viaja a Lima acompanhado do advogado de um diretor do banco e assiste à final da Taça Libertadores.
- 29 de novembro: Vorcaro é libertado com tornozeleira eletrônica.
- 2 de dezembro: Toffoli determina sigilo máximo no pedido da defesa para levar o caso ao STF.
- 3 de dezembro: Toffoli passa a avaliar todas as diligências relacionadas ao caso.
- 4 de dezembro: Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) aprova quebra de sigilo de Vorcaro.
- 11 de dezembro: Jornal revela que o Master contratou o escritório da família do ministro Alexandre de Moraes por altos valores mensais para defender seus interesses.
- 12 de dezembro: Toffoli manda retirar documentos sigilosos de Vorcaro da CPMI no Congresso.
- 15 de dezembro: Toffoli autoriza a retomada das investigações e futuras oitivas relacionadas ao Master e ao Banco Central.
- 16 de dezembro: Mais de 200 pessoas pedem ao STF um código de conduta para seus ministros, após notícias sobre envolvimento de membros da corte com o Master.
- 18 de dezembro: Ministro do TCU questiona se a liquidação do Master foi precipitada e exige explicações do Banco Central em 72 horas.
- 22 de dezembro: Jornal reporta que Moraes teria pressionado Galípolo para favorecer o Master; ambos emitem notas diferentes confirmando encontros para tratar de outra lei.
- 23 de dezembro: Moraes e Banco Central afirmam que encontro presencial foi para discutir a Lei Magnitsky.

